História de Bela Vista de Goiás

TRABALHO DEDICADO Á SUA ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL
Os homens se sucedem como as ondas do oceano, ou como
as folhas do bosque; mas a gloria dos beneméritos não se apagará.
Ossian – The Warriors of fingol.

Apesar das dificultosas pesquisas que tivemos de realizar para colidir documentos dispersos, relativos a épocas passadas, e para colher informações de pessoas idosas conhecedoras dos fatos que dizem respeito á historia política e administrativa de Bela Vista, não tivemos desfalecimentos, lembrando-nos sempre do velho adágio que identifica o querem o poder.
Conseguimos em parte e nosso desiderato, que é justamente prestar algum serviço, ainda que que de nenhum mérito, á terra onde nascemos. Longe de quaisquer vaidades, vencemos a jornada que nos traçamos.
Os belavistenses em geral, que irão julgar nosso modesto trabalho saberão pôr certo desculpar-nos pelas falhas que naturalmente se encontram neste pequeno esboço histórico, que, entretanto, poderá de futuro servir para um trabalho mais completo.
Conseqüência lógica do cunho cientifico que vêm tomando os estudos históricos, as suas investigações tornam-se dia a dia mais complexas, exigindo do historiador grande critério e a máxima severidade.
BELA VISTA DE GOIAS
A cidade de Bela Vista, situada em admirável planície, a 700 metros de altitude, pertencia ao município de Bonfim, tendo sido fundada em terras doadas pôr José Bernardo Pereira e sua mulher Inocência Maria de Jesus, e pôr José Inocêncio Teles, conforme escrituras particulares passadas receptivamente em 9 e 25 de junho de 1852, as quais são do teor seguinte:
Dizemos nós abaixo assinados, eu e minha mulher, entrem os bens que possuímos livre e desembargados, e assim um corte de terra, nominado na beira do Sussuapara, pôr nome Buriti da ponte de terra, cujo corte de terra dou a Nossa Senhora da Piedade, de minha livre vontade para se fazer uma casa de oração que é muito de meu gosto que seja de Nossa Senhora, sita as divisas seguintes: Da ponte da Sussuapara pela estrada que vai para o senhor José Teles, até o espigão, descendo pelo espigão da Piracanjuba, até confronto com a barra do Buriti da ponte de terra descendo a rumo direto na dita barra da ponte de terra com a Sussuapara, subindo pela água da mesma para cima até a ponte da estrada do senhor Januário Teles, que fica sendo a toda a vertente de buriti com este terreno de terra todo de Nossa Senhor, de hoje para sempre e se falta alguma cousa nesta dadiva, peço a justiça sua Majestade, como se fosse passado em outra qualquer menção. Pôr não saber ler nem escrever, pedi ao senhor Baltazar Caciano que pôr mim fizesse e assinasse, como testemunha que fiz a rogo do senhor José Bernardo Pereira. Baltazar Caciano dos Reis. Boa vista,9 de junho de 1852. A rogo de Inocência Maria de Jesus, Manoel Pinto Ferreira. Como testemunha que vi pedir assinatura, Joaquim Jorge Machado e Camilo José de Oliveira.
Dizemos nós abaixo assinados, que entre os bens que possuímos livre se desembargados e assim um córte de terra nominada na beira do Sussuapara, cujo corte dou a Nossa Senhora da Piedade, de minha livre vontade sita as divisas seguintes: Da ponte do senhor Januário Teles, subindo nela agua acima a barra do córrego Melancial e subindo pela agua do Melancial acima até a primeira barra de um buriti que nasce da parte da nascendo, subindo pelo buriti que acima até a cabeceira, frechando em rumo direito na estrada que vem do senhor Januário Teles, descendo pela estrada abaixo até a ponte da Sussuapara, ficando a agua do Melancial e este terreno de terra todo este para Nossa Senhora, de hoje para sempre e pôr ser muito de meu gosto somente para assinar abaixo as testemunhas. Boa Vista,25 de junho de 1852. José Inocêncio Teles. Assino a rogo da senhor Josepha Maria de Melo, Baltazar Caciono dos Reis,Camilo José de Oliveira e Tiburcio da Costa e Silva.
Digo eu Francisco Loriano da Costa e minha mulher Lucinda Maria de Jesus, que entre os mais bens que possuímos livres e desembargados, bem assim parte de terras de plantar e de criar no retiro de Santo Antônio, Cabeceira da Sussuapara, a qual vendemos ao senhor Joaquim Mateus Gomes, pelo preço a quantia de noventa mil reis, que recebemos ao fazer este, sendo as divisas seguintes: De uma ponte velha, de José Rodrigues, no Córrego Sussuapara rumo direito até o Espigão do lado da ponte e pelo espigão acima até confronto a ressaca do Barro Amarelo, descendo pôr este abaixo, entrando no mato em rumo direito até o córrego do mato grande, subindo pôr este acima, divisando com Maria da Silva, até a estrada da bucaina, pôr esta estrada acima divisando com José Pontes até a cabeceira da bucaina, daqui cortando em rumo até o córrego a Sussuapara, descendo pelo córrego abaixo até a onde teve principio, que divisa com José Teles, as quais terras poderá o dito senhor as possuir como suas que ficam sendo de hoje para sempre, para o que lhe espaçamos todo jus, domínio, que nas mesmas temos, ficando o contador obrigado a sisa da lei, e nos obrigados a fazer-lhe a venda boa a do tempo, que sobre elas haja alguma dúvida, e para seu título lhe andamos passar o presente que não sabermos ler nem escrever, assina nosso rogo a saber pelo vendedor Vicente Ferreira Guimarães, e pela vendedora, o Alferes Januário Alves Teles, em vista das testemunhas abaixo assinadas. Bonfim, 3 de Dezembro, de 1849. A rogo de Francisco Loriano da Costa, Vicente Ferreira Guimarães, assino a rogo de Lucinda Maria de Jesus, Januário Alves Teles. Como testemunha que vi ambas pedir, Joaquim Pires do Prato. Pertence ao senhor Serafim Neves da Silva, que fica sendo possuidor desde hoje para sempre, ficando o dito comprador obrigado á sisa da lei e tendo posse e domínio que nelas tenho, e pôr verdade mandei passar a presente, somente pôr mim assinado, perante as testemunhas abaixo assinadas. Hoje, Sussuapara, 22 de Outubro de 1856. Joaquim Mateus Gomes, assino a rogo de Cândida Maria de S. José, Pedro Micheias Nogueira. Como testemunhas que vi pedir e assinar, Fortunato Gomes e Camilo José de Oliveira. Era o que se continha em o dito papel que bem e fielmente copiei. Eu, Firmiamo da Costa e Oliveira, tabelião, o escrevi.
Contrato que fizemos perante as testemunhas abaixo assinadas. Eu Baltazar Nogueira dos Reis e João Teles de Moura, afim de um titulo de umas terras de Nossa Senhora, sita as divisas no teor seguinte o que consta o título na mesma ressacada do Barra Amarelo, Seguindo do marco que esta persistindo até apanhar a cabeceira de uma grota que sai ao campo e esta mais anexa ao marco, e pôr está abaixo até o córrego do mato grande, segundo consta o mesmo titulo; e para o nosso governo passamos este e pedimos a justiça de nossa majestade, que dê um inteiro vigo como se uma escritura publica. Arraial de Nossa Senhor da Piedade, 5 de junho de 1868. Baltazar Nogueira dos Reis, João Teles de Moura. Como testemunhas, Maximiano José Teles, Antônio Joaquim da Mota e Manoel Caciano dos Reis.
Escritura de contrato que fazem o Rvdmo. Padre José Vendel, José Pereira de Oliveira e sua mulher D. Lucia Maria de Jesus. Saibam quantos virem este instrumento de contrato que no ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil novecentos e um aos dezessete dias do mês de junho do dito ano, nesta cidade de Bela Vista, comarca do mesmo nome, Estado de Goiás, em meu cartório compareceram José Pereira de Oliveira e sua mulher D. Lucia Maria de Jesus pôr uma parte e pôr outra o Rvdmo. Padre José Vendel no caráter de fabriqueiro e administrado do patrimônio da Matriz desta freguesia, e representado pôr seu procurador, o cidadão Brasilino Roque Teixeira, como de vê de uma procuração devidamente selada e com reconhecimento da firma, a qual vai aqui transcrita e é do teor seguinte: Procuração, passado pôr meu próprio punho, constituo meu procurador o cidadão Brasilino Roque Teixeira, na cidade de Bela Vista e seu termo, especialmente para requerer e tratar em juízo, ou fora dele, do direito, ação e proteção do o outorgante, relativamente dos Orago de Nossa Senhora da Piedade, desta cidade de Bela Vista, ora contestados estes terrenos pelo cidadão José Pereira d’ Oliveira, que não tem nem pode Ter o jus in ré aos referidos terrenos, que pôr direito indiscutível de posse de mais de trinta anos pertencem ao patrimônio, e assim, ate hoje tem sido respeitados e acatados os seus direitos ; dando- lhe todos os poderes para este fim. Campinas, 8 de Abril de 1901. Padre José Vendel Fabriqueiro. Reis um mil reis. Pagou de selo estadual um mil reis. Coletoria de Bela Vista, 10 de Maio de 1901.O encarregado, Antônio Teixeira. Reconheço verdadeira letra e firma supra da presente procuração, ser do próprio punho do Rvdmo. Padre José Vendel, pôr ter delas pleno conhecimento, ao qual me reporto e dou fé. Bela Vista, 10 de Maio de 1901. Eu, Firmiano da Costa Oliveira, escrivão o escrevi. Eu testemunho da verdade, estava o sinal publico Todos conhecidos de mim tabelião e das testemunhas presenciais abaixo nomeadas e assinadas, perante as quais pôr eles me foi dito que havendo solvido de comum acordo e amigavelmente a questão entre eles suscitada relativamente ao jacente na margem direita do córrego Sussuapara, contíguo a esta cidade, termo que compreende parte do campo em está situada a chácara do contratante Oliveira e um mato conhecido pôr capão, convencionaram e contrataram que a linha divisória da parte do mesmo terreno que fica pertencente á Matriz e da que fica pertencendo ao contratante Oliveira terá pôr ponto de partida o barraco do córrego Sussuapara- a igual distância do capão e da ponte denominada do João Pinto- sobre o mesmo córrego e desse ponto seguinte para Poente em linha reta até a divisa de umas terras de Firmiano Francisco Ferreira, e que pertencerá á Matriz a parte do lado direito, o açude e rego d água da servidão do contratante Oliveira, e a este a parte do lado esquerdo, a qual compreende certa extensão do campo em que está situada a chácara e o cemitério publico desta cidade, ficando igualmente livre não só a estrada mas também o local do cemitério, como o mesmo contratante, segundo afirma, já tinha concedido ao finado Senador Antônio da Silva Canedo. E pôr assim havendo contrato, me pediram o presente instrumento, que achando conforme vai assinado pôr José Pereira Naves a pedido do contratante Oliveira, pôr não saber escrever, e pelas outras partes e testemunhas presencias, Tenente Coronel Francisco Joaquim Marques, Padre Martinho Formr e Capitão Felicissimo Domigues, do que tudo dou fé. Eu, Firmiano da Costa Oliveira, tabelião, a escrevi. Brasiliano Roque Teixeira e Lucia Maria de Jesus. Padre Martinho Formr – Felicissimo Domigues e Francisco Joaquim Marques.

SURGE O ARRAIAL
Dona Josefa Teles, irmã de José Inocêncio Teles, um dos doadores das terras, aos domingos e dias santos saía de sua fazenda, denominada São Bento, distante 12 quilômetro do pequenino povoado de Sussuapara, a –fim –de fazer suas orações em companhia dos habitantes do logar, para o que edificou, as suas orações em companhia. Dona Josefa Teles faleceu repentinamente no dia em que o segundo Vigário da Paroquia, Revdmo Padre Braz da Costa Oliveira, tomou posse da freguesia.
O arraial foi elevado de freguesia pela Revolução da Assembléia Provincial, sob n.º 612, de 30 de março de 1880; o curato, foi criado a 27 de junho de 1876.
Luiz José de Siqueira, natural de São João del Rei, Estado de Minas Gerais, casado com Dona Ana Gomes Gerais, nascida em Bonfim, foi quem começou a dar os primeiros passos pelo desenvolvimento da povoação, tendo mandado construir ás suas expensas, em 1875, um Chafariz na praça Senador Silva Canedo, ao lado direito da lado direito da Igreja de N. S. da Piedade, padroeira da freguesia.
O ato inaugural do chafariz consta da correspondência seguinte, publicada no Correio Oficial de 29 de janeiro de 1876, n.º 7 :Honra ao mérito. No dia 30 de setembro último este Arraial vestiu-se de galas para festejar a cerimonia da benção do lindo chafariz, que o honrado negociante Sr. Luiz José de Siqueira, ás suas expensas, mandou construir em proveito publico. Na parte mais elevada da obra está colocada a Corôa Imperial; na parte direita, gravada em pedra, esta inscrição:
Oferecido ao Sr. Comendador Francisco José da Silva; do lado esquerdo esta outra – Dedico ao zelo do bem publico, e, finalmente, no centro lê- se a éra: 1875. Alem do exposto, o Chafariz contém duas elevadas colunas nos centros, três elegantes e pirâmides e mais duas bicas de ferro dás quais a agua jorra com abundância e velocidade sobre um tanque de pedra. Finda a cerimônia religiosa, celebrada pelo respectivo parocho, este digno sacerdote ofereceu aos seus paroquianos, em sua própria residência, um lauto jantar, onde reinou a mais harmonia, levando-se diversos brindes que foram entusiasticamente, correspondidos. Os habitantes deste logar jamais olvidarão o filantrópico serviço que acaba de prestar- lhe o benemérito Sr. Luiz José de Siqueira, o qual pôr ato tão meritório mais ainda conquistou a imorredoura gratidão dos seus amigos, que incessantemente fazem sinceros votos pela sua prosperidade, em cujo numero se acha o amigo do Mérito. Bela Vista, 30 de Dezembro de 1875.
O pároco da freguesia que oficiou na cerimônia religiosa, chamava-se João de Azevedo.
O chafariz, inaugurado com tanto regozijo popular, em 1906 foi
demolido, tendo com ele desaparecido lamentavelmente uma das melhores relíquias ligadas aos fatos históricos da terra dos Buritizais Sussuapara.
AUTONOMIA
Pela Lei n.º 100, de 5 de junho de 1896, foi o distrito de Bela Vista elevado á categoria de cidade; a lei está redigida nos seguintes termos: Francisco Leopoldo Rodrigues Jardim, presidente do Estado de Goiás: Faço saber que a câmara dos Deputados decretou e eu promulgo a seguinte lei: Art.1º, – Fica elevado á categoria de cidade o arraial de Bela Vista, que constituirá município com a mesma denominação, compreendendo o distrito de Campinas e mantendo os mesmos limites das duas freguesias, fornecendo os habitantes os edifícios exigidos pela lei.
Art. 2º – Revogam –se as disposições em contrario. Governo do Estado de Goiás, 5 de Junho de 1896, 8 º. Da Republica. (a). Francisco Leopoldo Rodrigues Jardim, José Xavier de Almeida.
Os membros do conselho Municipal, em oficio de 9 de Março de 1897, comunicaram ao Presidente e demais membros do poder legislativo de Bonfim a instalação do município nos seguintes termos Paço Municipal de Bela Vista, 9 de Março de 1897. Cidadãos Presidente e demais membros do conselho Municipal de Bonfim. A Intendência Municipal de Bela Vista vos comunica que em sessão de ontem, de conformidade com as instruções que recebeu do Governo do Estado, declarou instalada este município, e elevado a categoria de cidade o arraial de Bela Vista. Cumpre a Intendência o grato dever de manifestar- vos o seu reconhecimento pelos serviços prestados á parte hoje desmembra do município que sabiamente dirigis. Prevalecendo- se do ensejo, vos apresenta a Intendência os seus protestos de apreço e consideração. Saúde e Fraternidade. (aa) Antônio Cândido da Costa Moraes, Manoel dos Reis Gonçalves, João de Araújo Leite, Felicíssimo Domigues, Francisco Joaquim Marques.
Pelo decreto n.º 326, de 13 de maio de 1897, baixado ainda pelo Cel. Francisco Leopoldo Rodrigues Jardim e pelo Secretario do Interior, Dr. José Xavier de Almeida, foi criado o termo jurídico, cuja instalação se realizou em 9 de agosto do mesmo ano de 1897, conforme consta do termo de audiência seguinte:
Audiência de 9 de agosto de 1897. Foi aberta pelo porteiro clemente Jacinto de Souza e presidida pelo juiz municipal Cel. Francisco Joaquim Marques, que anunciou que, pôr decreto n.º 326, de 13 do mês de maio próximo findo, foi criado o termo jurídico de Bela Vista, conforme oficio de igual data participando-lhe o Diretor Chefe da Diretoria do Interior do Estado, e que, portanto, declarava instalado o foro civil e criminal. Eu, Juvencio Domigues, escrivão, o escrevi. (aa) F. Marques, Juvencio Domigues, Clemente Jancinto de Souza.
Pela lei n.º 164, de 11 de junho de 1898, foi dada nova denominação á comarca de Bonfim a sede para termo de Bela Vista, lei que assim está regida:
Bernardo Antônio de Faria Albernaz, vice- presidente do Estado de Goiás: Faço saber que câmara dos Deputados decretou e eu promulgo a seguinte lei: 1º – A comarca de Bonfim chamar-se-á comarca de Bela Vista, passando sua sede daquela para esta cidade. Art.2 º- Revogam-se as disposições em contrario. Governo do Estado de Goiás, 11 de junho de 1898, 10º da Republica. Bernardo Antônio de Faria Albernaz. José Xavier de Almeida. A referida lei foi publicada no mesmo dia pelo chefe de seção Dr. José Bernardino Rodrigues de Morais.

JUIZES DE DIREITO

Com a transferência da sede da comarca da Bonfim para Bela Vista, foi consequentemente removido o respectivo juiz de Direito, Dr. Francisco Ferreira Martins Ribeiro, filho do Estado de Pernambuco. Instalou-se a comarca em nova sede a 1 º de janeiro de 1899. Assistiram ao ato os Srs. Cel. Manoel dos Reis Gonçalves, deputado estadual, Bonifácio da Silva Rocha, intendente municipal, Vicente Paranaíba, contador do juízo, Cel . Francisco Joaquim Marques, Juvêncio Domigues e outros pessoas de destaque.
O de. Martins Ribeiro exerceu a judicatura com grande probidade até 1905, ano em que foi nomeado membro do Superior Tribunal de Justiça do Estado, posto em que veio a falecer em novembro de 1923. Foi sempre cercado de real estima pôr parte dos seus jurisdicionados.
Ficando vaga a comarca, para ela foi removido a pedido, o juiz de Direito de Cavalcante, Dr. Luiz Sisenando Xavier Serra dourada, que assumiu as funções do cargo a 16 de Fevereiro de 1906. Exerceu-o durante nove anos, quando foi nomeada membro do Superior Tribunal e Justiça do Estado.
O desembargador Luiz Sisenando tornou-se logo digno de toda a consideração dos habitantes da Comarca, graças ao seu modo de agir, pautado sempre com a maior honestidade. Era um verdadeiro juiz que muito bem se compenetrava de seus deveres, portando- se como verdadeiro sacerdote do Direito.
Aposentando- se, não pode furtar-se ao desejo de retornar á sua ex- comarca, onde fixou residência; deixou de residir na capital do Estado, centro indiscutivelmente mais culto, para viver no seio dos seus ex- jurisdicionados, a-fim-de cultivar a suas velhas amizades. Faleceu a 10 de setembro de 1928, deixando a cidade coberta de luto com a sua morte.
Sucedeu-o na comarca o Dr. Odorico Gonzaga de Siqueira, que mais tarde requereu permuta com o juiz de Direito de Catalão, Dr. Luiz Ramos de Oliveira Couto.
O Dr. Gonzaga de Siqueira, possuidor de sólida cultura, caráter impoluto, deixou na comarca gerais simpatias e sinceras amizades, graças ás suas nobilitantes quantidades, quer como juiz, quer como cidadão.
Verificada a permuta, assumir o cargo o Dr. Luiz Ramos de Oliveira Couto que, como já estava pleiteando sua aposentadoria, apenas o exerceu durante mês e dias. Quando nomeado, já contava na comarca grande numero de admiradores, quer como jurista, quer como beletrista ilustre e inspirado poeta.
Foi substituído pelo Dr. João de Almeida Barros, paulista, que abandonou a comarca depois de Ter exercido o cargo pôr mais de dois anos. Foi sucedido pelo Dr. Horácio Diniz da Costa Maia, pernambucano, o qual, incompatibilizando-se fundamente com os seus jurisdicionados, pediu remoção para a comarca de Pouso Alto; faleceu em 1929, na Capital Federal.
Foi então nomeado o Dr. Luiz Gonzaga Jaime, que mais tarde pediu transferência para a comarca de Rio Verde.
É hoje ilustre catedrático de Direito Romano da Faculdade de Direito de Petrópolis, depois de Ter exercido o cargo de Juiz Municipal de Araçuaí, Estado de Minas Gerais
Deixou dedicadas amizades na comarca de Bela Vista, graças ás suas qualidades de Juiz que soube conservar sem mácula a sua toga de magistrado. É filho do saudoso senador federal Luís Gonzaga Jaime, que deixou, na Câmara Alta do País, traços indeléveis da sua cultura jurídica e do seu talento de escol.
Foi sucedido pelo atual juiz da comarca, Dr. Domingues Batista de Abreu, nomeado pôr decreto n.º 10.077 de 1º de janeiro de 1929. Assumiu o exercício do cargo a 6 de fevereiro do mesmo ano. Desfruta na comarca de geral conceito, e sempre procurou agir com critério e inteligência.

JUIZES MUNICIPAL
Exerceu o cargo de juiz municipal, pôr nomeação do Governo, os Srs. coronéis Francisco Joaquim Marques, Vicente Ferreira da Silva, Pedro Umbelino de Souza, Antônio Amazonas do Brasil Canedo, João Camilo de Oliveira; majores Olímpio Araújo Melo, Joaquim Bonifácio da Silva, Diógenes Domingues, Estêvão Rodrigues do Nascimento, Manoel de Souza Lobo, Felicíssimo Domingues e Vicente Bonifácio da Silva, todos já falecidos; e os Srs. Major Antenor Nascimento, Manoel Umbelino de Souza, Aurélio Rodrigues de Morais, Antônio da Silva Carneiro e Dr. Cileneu de Araújo. Em 1934 foi nomeado juiz substituto da comarca o Dr. Donizetti Martins de Araújo, que depois de assumir as funções do cargo, solicitou sua transferência para a comarca de Bonfim. Cidadão distinto em suas maneiras, esmeradamente educado, abaliza filólogo, exerce com muita eficiência o magistério nos principais estabelecimento de ensino de Bonfim: o Ginásio Arquidiocesano Anchieta e o Colégio de Nossa Senhora Auxiliadora.
JUIZES DISTRITAES
Exercem o cargo de Juiz distrital os Cel. Francisco Joaquim Marques, que prestou compromisso perante o conselho municipal de Bonfim a 2 de junho de 1896, Antônio Silvério da Cruz, João Cardoso Teixeira, João Paulino da Silva, Leolino da Costa Faria, Francisco Medeiros, Silvério Lemes da Silva, Juvêncio Domingues, Hermógenes Antônio Pinto, Joaquim Gregório da Silva Lima, Bonifácio da Sara Rocha, Tristão Pires do Prado, Justino Bernardes de Souza, Antônio Cândido da Costa Morais, todos já falecidos, e Antônio da Silva Carreiro, José de Araújo Melo e José Caetano Nogueira.
PROMOTORES PUBLICOS
O primeiro Promotor Publico da Comarca foi Dr. José Delno da Silva, que foi transferido da comarca de Bonfim para a de Bela Vista, tendo exercido cargo durante dois anos. Foi substituído pelo finado Joaquim Camilo de Oliveira, que prestou compromisso a 25 de fevereiro de 1891, tendo exercido o cargo até 1909, quando foi inesperadamente Comerado, em consequência da radical mudança da político do Estado para substitui-lo foi nomeado o Sr. Honestino Guimarães, que não aceitou o cargo. Foi, então, nomeado pelo presidente do Estado, Dr. Urbano de Gouveia, o Dr. Leopoldo Augusto de Souza, paulista, que exerceu o cargo durante três anos, já tendo falecido. Foi substituído pelo Sr. Nicolau Tontino Marques, que esteve em exercício durante um ano, sendo substituído pelo Sr. Brasiliano Roque Teixeira, que exerceu o cargo até 1932, em que solicitou sua aposentadoria. Faleceu em 8 fevereiro do mesmo ano. Foi um funcionário inteligente, cônscio de seus deveres, honesto e criterioso na maior acepção do vocabulário. Brilhantes foram os paços de sua gestão na promotora, onde deixou bem patente a intuição rídica que lhe era peculiar. Foi um grande coração, que não conheceu mal. Ocupou durante mais de um decência o magistério, como professor estadual e municipal. Foi substituído pelo Dr. José do Egito Tavares, moço culto e inteligente, hoje professor da Faculdade de Direito em Goiânia. Substituiu-o o Sr. Manoel Joaquim de Araújo.
ESCRIVÃES DE ÓRFÃOS
Creio o termo jurídico, foi nomeado vitaliciamente o Sr. Juvêncio Domingues, que exerceu o cargo até a data do seu falecimento, ocorrido a 13 de novembro de 1913. Era dotado de lúcida inteligência, espirito superior, coração afeito á pratica do bem. Descendente da distinta família Vítor Rodrigues, deixou ainda muito moço a sua terra natal, Catalão, e foi sucessivamente coletor estadual de Rio Verde, professor em Ipameri, encerrando sua existência como escrivão de órfãos de Bela Vista, onde viveu feliz e cercado de toda consideração, durante mais de quatro lustros. Exerceu a medicina pratica, mas consciente, salvando numerosas vidas.
Foi sucedido pelo distinto cidadão Antônio Batista Arantes, que prestou compromisso em 5 de Dezembro de 1913, tendo deixado o cargo em 1916, para aceitar o de tabelião do termo da comarca de Pouso Alto. É um notário modelar, que soube conquistar a confiança dos seus clientes e a admiração de seus inúmeros amigos, em cujo numero nos colocamos. Foi nomeado pôr decreto de 3 de janeiro de 1918, para substituí-lo o Sr. Adelino Roque de Souza, grande amigo das belas artes, que se exonerou em 1929, sendo sucedido pelo atual escrivão Sr. Teodomiro Pacifico Barbosa, funcionário esforçado de trabalhador.
TABELIÕES
O Sr. Flavio Felix de Souza foi o primeiro tabelião do termo Exonerando- se retornou á sua cidade natal, Bonfim. Foi substituído pelo Sr. Firmiano da Costa Oliveira, que exerceu o cargo com rara probidade e inteligência a partir de 4 de março de 1901 até fevereiro de 1922, quando
faleceu.
Aberta a vaga, foi transferida do 2º. oficio para o 1º. o Sr. João Batista Serra Dourada, que, em 1933, permutou o cargo com o atual serventuário Sr. Milton Costa, que ocupava o cargo de 2º. tabelião. Moço esforçado e empreendedor, procurou dar nova e mais eficiente organização ao cartório.
OFICIAIS DO REGISTRA CIVIL
Foram oficiais do registro civil os Srs. João Leite, Joaquim Camilo de Oliveira, Pedro Maximiano de Oliveira, Leonel Macedo Machado, todos já Falecidos; Teodomiro Pacifico Barbosa, Florido do Prado, Adaíl Domingues; atualmente exerce o cargo o Sr. Djamil Pacifico Barbosa.
O primeiro livro destinado a assentamento de casamentos, exigido pela lei do Império, de n.º 1829, de 9 de setembro de 1870, foi aberto, numerado e rubricado pelo vice presidente da câmara municipal de Bonfim, Sr. Inácio de Souza Ramos, em 18 de setembro de 1884.
A mencionada lei, que mandou proceder ao recenseamento da população do Império, autorizou em seu art. 2º. o regulamento n.º. 5.604, de 24 de abril de 1877, sobre o registro dos casamentos com o dos nascimento de óbitos.
Estabelecido o casamento civil, após o advento da República, foi o primeiro livro destinado a tal fim aberto em 29 de janeiro de 1889, pelo secretário do Estado, Sr. Joaquim Manoel Corrêa, já falecido.
PODER EXERCUTIVO
Criado o Município de Bela Vista, foi pôr unanimidade de votos eleito intendente o Dr. João Leite, farmacêutico, que, tendo falecido na Capital Federal em 1897, não chegou a assumir o cargo, exercendo-o primeiro vice- intendente, sr. Bonifácio da Silva Rocha. Foram eleitos sucessivamente ao Srs. João Pinto, Felicíssimo Domingues, Antônio Amazonas do Brasil Canedo, Pedro Umbelino de Souza, Manoel de Souza Lobo, José Bonifácio da Silva Rocha, Joaquim Vicente Bonifácio da Silva, Olimpio de Araújo Melo, João Camilo de Oliveira, Vicente Bonifácio da Silva, todos já falecidos; Srs. Antenor de Amorim Nascimento e João Agostinho de Siqueira.
Com a vitoria da revolução de 30, foi o intendente municipal, cel. João de Oliveira substituído pelo Sr. Vicente Bonifácio da Silva, falecido a 5 de julho de 1938. Substituído-o o brilhante jornalista Cassino Monteiro Guimarães, que exerceu o cargo com reconhecida eficiência e comprovada honestidade. Exonerando-se, foi substituído pelo tenente Manoel Góes Moreira que se incompatibilizou com a totalidade do povo do município, sendo substituído pelo Dr. Francisco Taveira, ilustre facultativo, moço idealista e patriota, que soube conquistar a confiança de seus munícipes. O eleitorado do município, num gesto altamente honroso para o Dr. Francisco Taveira, elegeu-o pôr unanimidade prefeito constitucional de Bela Vista, como prova de reconhecimento pela sua atuação em prol do bem coletivo. Exonerando- se, a pedido, foi nomeado pôr decreto n.º 671, de 2 de maio de 1938, o atual prefeito, Sr. Sebastião Lôbo, irmão do autor destas notas.
Todas as classes sociais de Bela Vista, receberam com muito agrado a nomeação de Sebastião Lôbo. Entre as diversas referência que lhe fez a imprensa Goiânia, destacamos a seguinte enviada ao POPULAR, de Goiânia, pelo seu correspondente em Bela Vista:
Com o recente ato do Sr. Interventor Federal neste Estado, Dr. Pedro Ludovico, foram os destinos de Bela Vista entregues á direção do Sr. Sebastião Lôbo.
O novo prefeito, logo depois de tomar posse do cargo, viajou para Goiânia, a tratar de vitais interesses locais. Em assim conseguiu, entre outros benefícios, o auxilio do Estado para a reconstrução da rodovia que liga a nossa cidade a capital. A estrada, de que há muito se achava em completo abandono, quais intransitável, já recebeu a primeira turma de trabalhadores em nossos subúrbios, e promete, depois de concluída, tornando-se uma das principais do Estado.
Já está o Sr. Prefeito projetando, para dar inicio imediato ás obras, a reconstrução da estrada que nos liga a Pouso Alto.
A sua febre de remodelação vem atingindo vários setores da administração e um novo halo de progresso já sopra Bela Vista, estando a sua população jubilosa pôr ver em Sebastião Lôbo a encarnação perfeita do Estado Novo.
Á febre de trabalho do povo Belavistense, ao anseio de progresso que o anima, vem- se casar a administração fecunda e honesta do seu jovem administrador.
TRABALHOS EXECULTADO PELAS DIVERSAS
ADMINISTAÇÕES
O primeiro regimento interno do Conselho Municipal, ainda em vigor, foi organizado pelo cel. Francisco Joaquim Marques e promulgado em 2 de julho de 1897, pelos conselheiros municipais cel. Antônio Cândido da Costa Morais, major João Antônio Pinto, Felicíssimo Domingues, José Basílio Ribeiro da Silva, Francisco Borges Tapera, José Benedito Teles, Joaquim Bonifácio da Silva e Nicolau Tolentino Marques, único sobrevivente.
O primeiro código de posturas do município foi também organizado pelo cel. Francisco Marques e promulgado em 1º de dezembro de 1903 pelo intendente municipal Antônio Amazonas do Brasil Canedo, falecido aos 34 anos de idade, a 28 de fevereiro de 1905, filho do saudoso senador Silva Canedo.
Pela lei n.º 55, de 28 de dezembro de 1929, sancionada pelo intendente cel. João Camilo de Oliveira, falecido aos 61 anos de idade, em 8 de agosto de 1935, foi o primitivo código de posturas revogado.
O segundo código, em vigor, foi compilado pelo autor destas notas históricas, e votado pelos conselheiros municipais Vicente Bonifácio da Silva, Diógenes Domingues, Modesto Rios, já falecidos ( o último faleceu em 29 de junho de 1935, em Araguari, Estado de Minas); Aramis Jardim Moacir de Araújo Canedo e João Augusto Roriz.
Pelo intendente cel. Pedro Umbelino de Souza, foi criado o regulamento da instrução primária do município, aprovado pelo conselho municipal em 7 de novembro de 1911. É um ótimo trabalho, que muito recomenda a administração municipal daquela época.
Pelo intendente major Antenor de Amorim Nascimento, foi sancionado, pôr ato de 26 de janeiro de 1924, o primeiro e único regulamento da fiscalização das arrecadação das rendas do município. Com a sua aprovação desapareceu a lacuna existente no município, que durante mais de cinco lustros vinha dirigindo os negócios de sua economia pública sem lei que cuidasse do controle de sua renda, quando é certo que as leis, quando sábias, constituem base de um bom governo.
O regulamento em apreço, como é natural, tem prestado relevante benefícios á administração municipal, concorrendo para um arrecadação mais perfeita.
Pela lei n.º 7 de 26 de janeiro de 1924, foi pela primeira vez dada denominação ás ruas e praças da cidade. Pela lei n.º 8 de 26 de janeiro de 1924, foi criado o arquivo municipal, projeto de autoria do conselheiro Nicolau Tolentino Marques. Pela lei n.º 30, de 6 de novembro de 1925, foram estabelecida as férias especiais aos funcionários municipais. Pela lei n.º 35 de 18 de outubro de 1926, foi autorizado o fechamento do perímetro urbano. Pela lei n.º 37 de 18 de janeiro de 1927, foi concedido um auxiliar de 2:000$000 ao município de Campinas para prolongamento da linha telegráfica de Bela Vista até aquela cidade, auxiliar efetivado após a promulgação da respectiva lei. n.º 49, 25 de setembro de 1928, foi sancionado o ato que criou a biblioteca municipal.
Na administração do intendente. José Pereira de Oliveira, já falecido, que habitava numa chácara muito pitoresca á margem direita do córrego Sussuapara realizasse um fecho que iria prejudicar fundamente o trânsito público, conforme reza a petição seguinte: Ilmo. Snr. Juiz Municipal cel. Francisco Joaquim Marques. Manoel de Souza Lôbo, intendente municipal, cliente que José Pereira de Oliveira está levantando uma cerca de arame além do córrego Sussuapara, próximo da ponte do mesmo córrego, na estrada desta cidade para Pouso Alto e Capital do Estado, cujo serviço vem prejudicar consideravelmente o trânsito e servidão publica, vem pôr isso, amparado pela lei, requerer a V.S. se digne mandar intimá-lo e bem assim a todos os seus trabalhadores para não continuarem o referido serviço sob as penas da lei: com o que, E. Deferimento. Bela Vista, 26 de Agosto de 1899. (a) Manoel de Souza Lôbo, intendente municipal.
Na administração Bonifácio da Silva Rocha, falecido em 1933, foi iniciada a construção do prédio destinado á cadeia e fórum, obra que custou grande esforço e sacrifício, dada a renda do município. Para sua situação, foi necessário que se recorresse aos habitantes do município, que contentes com os efeitos de sua autonomia política, não lhe negaram auxílios.
Na administração Pedro Umbelino de Souza, falecido a 6 de junho de 1930, foram criadas diversas escolas rurais, que prestaram reais benefícios.
Na administração Olímpio de Araújo Melo, falecido a 28 de março de 1935, foi inaugurada a linha telegráfica de Bela Vista a Pouso Alto, num percurso de 42 quilômetros, Todavia, deve ficar bem esclarecido que município, em conseqüência da falta de numerário, na ocasião, não concorreu com nenhum auxílio, a tão importante melhoramento; sobre este assunto, adiante, em capitulo especial, serão conhecidos os meios pelos quais foram angariados recursos para o prolongamento da linha até Bela Vista.
Na administração João Camilo de Oliveira, eleito para completar o quatriênio do intendente José Bonifácio da Silva Rocha, falecido em fevereiro de 1921, foram pagas todos as passivas encontradas, conforme resumo que transcrevemos: Demonstração da receita arrecadada durante a gestão do baixo assinado, referente ao período de 29 de outubro de 1921 a 29 outubro de 1923. Importância liquida da porcentagem de 15% deduzida pelo coletor municipal Domingues Batista Arantes, 13:572$393. Foi despendido durante aquele período, conforme consta das respectivas folhas de pagamento, divida passiva anterior á administração de que se dar conta, gratificação e expediente, 9: 423$057. Balanço de saldo a favor do município, 4:149$378. Bela Vista, 30 de Outubro de 1923. (a) João Camilo de Oliveira.
A demonstração transcrita foi enviada ao Conselho Municipal acompanhada desta expedição: Srs. Membros do poder Legislativo deste município. Cumprindo, com satisfação, o dever que me impõe o s 21 do art. 53, da lei orgânica dos municípios do Estado venho apresentar-vos conta, nesta mensagem, de todos os negócios referentes á minha administração, cujo mandato se extinguiu a 29 do mês findo. Como não ignorais, fui eleito para o cargo de intendente municipal desta cidade para completar o quadriênio interrompido com o falecimento do Sr. José Bonifácio da Silva Rocha, havendo os meus distintos companheiros do diretório político local escolhido o meu obscuro nome para sucede-lo, sendo, então por grande generosidade do eleitorado deste município, eleito pôr unanimidade. A eleição teve lograr no dia 20 de Setembro de 1921, havendo assumido o cargo após o compromisso legal. Infelizmente encontrei o município em precaríssima situação em todos os seus aspectos. De inicio, na medida da minhas forcas, procurei organizar a secretaria da intendência o que não alcançou o efeito almejado em virtude das dificuldades aliás previstas. Não tendo o conselho municipal votado a lei orçamentaria para vigorar nos exercícios de 1922 e 1923, fui forçado a prorrogar a do ano de 1921, ex-vi do 8º do art. 58 da lei n.º 205, de 7 de agosto de 1896. No vigente, 1923, verificada completa acefalia no poder legislativo, levei o fato ao conhecido da Presidente do Estado, que de conformidade com o que prescreve o art. 8 da lei n.º 129, de 23 de Junho de 1897, nomeou para conselheiros os Srs. Vicente Bonifácio das Silva, Diogenes Domingues, João Augusto Roriz, José Ferreira de Moraes, Antônio da Silva Carneiro, Iracino Bonifácio das Neves e João Batista de Carvalho. O concelho, dado o seu caráter transitório, não teve oportunidade de prestar á minha administração o desejado concurso. Reconheço não Ter correspondido In Totum á confiança que o eleitorado deste município em mim depositou, sufragado o meu humilde nome, mas, em compensação, tenho a consciência tranqüila, pois que, tendo recebido a Intendência sem um real e grandemente sacrificada com dividas, a entrego ao meu ilustre sucessor maior Antenor de Amorim Nascimento, com um saldo de 4:149$318 e inteiramente libertada de compromissos monetários. Estou certo de que, do esforço patriótico e da reconhecida boa vontade do meu sucessor, muito irá lucrar esta cidade tão digna de todo bem estar e de todo engrandecimento. Filho desta terra, ao serviço dela dedicar o maior esforço no ardente desejo de vê-la prosperar. Não me foi possível cumprir rigorosamente todas as leis municipais porque, para o bom andamento do machismo administrativo é indispensável a função regular do conselho, o que infelizmente não se deu na minha gestão. De modo que, pôr esse motivo, aliás justificável e do domínio publico fui forçado a tomar deliberações e fazer algum serviço sem previa autorização do poder legislativo. Apesar de não me ser isso permitindo, peço-vos permissão algumas providencias que me parecem convenientes á municipalidade. E assim, penso ser de imprescindível necessidade criar-se um tributo elevado sobre os proprietários de carros ferrados com peão, que fazem grande estrago nas praças e ruas publicas. No Congresso Estadual há, nesse sentido, um projeto já votado em segunda discussão, elevado o imposto sobre carros de peões. Os lavradores deveriam adotar carros de chapas ou carrões afim de se evitarem constantes estragos nas estradas publicas. Penso também ser de palpitante necessidade que as ruas desta cidade sejam denominadas pôr lei especial, colocando-se nelas as respectivas placas. A receita do município é deveras reduzida, sendo necessário que os dignos conselheiros estudem com critério os meios de elevá-la, sem todavia sobrecarregar os contribuintes com grande majoração de imposto. Formulando os melhores votos para que, da vossa reunião ordinária, resulte grande soma de reais benefícios ao nosso município, apresento- vos os meus protestos de elevado apreço e distinta consideração. (Datada de 1º de novembro de 1923.)
O major João Camilo de Oliveira foi sucedido pelo major Antenor de Amorim Nascimento, que, assumindo o governo municipal, dirigiu ao conselho a judiciosa mensagem seguinte:
Senhor Membro do Conselho Municipal. Ao assumir as cedias do governo municipal, venho hoje dar cumprimento ao dever que me assiste de sugerir- vos em mensagem algumas medidas que se me afiguram de vantagem e de imperiosa necessidade á minha administração, afim de que possa levar a bom termino a tarefa que me foi confiado. O mesmo dispositivo legal que impõe o dever de vos enviar esta mensagem, obriga-me também a remeter- vos a proposta da receita e da despesa deste município para a votação do orçamento a vigor no ano de 1924. Só em uma escrituração rigorosa poderia eu encontra os necessários dados para uma proposta orçamentaria que exprimisse exatamente a verdadeira situação deste município, dando-vos a media exata da sua capacidade econômica. Como sabeis, porém, não há aqui ainda uma verdadeira organização municipal com escrituração completa. Esta alta obriga-me a proceder de modo diferente, mandando- vos, ao envies de uma proposta orçamentaria, uma cópia autentica do orçamento que vigorou no presente ano, para que vos sirva de base para a votação da lei de meio para 1924. Nada poderia fazer sem a vossa imprescindível colaboração tão proveitosa quão eficaz em todos os empreendimentos que dizem respeito ao levantamento das forças deste município, afim de que ele se erga do entorpecimento material em que esteve até 1921. Da completa harmonia de vistas entre os poderes executivos e legislativo, congregando ambos os melhores dos seus esforços e de suas energias em prol da obra de engrandecimento do município, depende a eficiência a minha administração, a que procurei dar sempre um cunho de trabalho, tendo pôr oscopo o bem público. Como não ignorais, senhores membros do Legislativo, é bastante árdua a tarefa do levantamento da cidade do seu município, pois nada temos, a começar pelo aparelhamento do serviço administrativo, constituindo tudo isso um trabalho assas grande para ser levado a efeito só período da minha administração, muito embora esteja animado da melhor boa vontade, contando com o vosso concurso para enfrentar a situação. Nas considerações que tenho feito sobre predecessor, meu amigo e dedicado companheiro de lutas políticas, sr. Major João Camilo de Oliveira, que aliais, só merece elogios pela sua administração prudente, ativa e sobretudo honesta, que muito o recomenda á gratidão do novo de Bela Vista. Sem o indispensável concurso do conselho municipal, que finalmente se tornou acéfalo, o meu antecessor, no curto lapso de tempo de sua gestão, fez o que só faria um espirito enérgico e forte, amantes sobretudo do progresso de sua terra. Sem outro recurso que não o das rendas ordinárias, conseguiu resgatar as dividas da municipalidade e equilibrar as suas finanças, deixando um saldo em cofre da quantia de 4:149$318. Fez muito. Por isso mesmo merece os meus louvores e reconhecimento dos belavistenses. Ao iniciar a minha gestão administrativa, não acaricio vãs esperanças de realizar empreendimento que as nossas possibilidades econômicas não comportam, mas tão somente o desejo de encetar a obra do engrandecimento desta terra, preparando o advento de melhores dias, afim de corresponder á confiança dos que unanimemente sufragaram o meu nome para o cargo de governador desta cidade. Para a realização deste desiderato, peço-vos permissão para vos ponderar que, não obstante a pequena extensão territorial do município, habitado por uma população constituída de gente trabalhadora, a sua capacidade tributaria não está esgotada, comportando ainda não só a elevação de alguns impostos, como também a criação de povos, sem que o povo fique muito onerado. Todavia, deixo este aumento á vossa clarividência e critério, obstando- me de fazer sugestões sobre novas fontes de renda a se criarem. Releva ponderar vos também que o orçamento que vai vos servir de base para organização do que deve vigorar no ano de 1924, vem sendo pregado há dois exercícios, estando nele consignada uma verba á instrução correspondente ás necessidades do momento, quando o ensino primário estava a cargo dos municípios. Hoje o ensino é centralizado e não pesa aos cofres municipais; pôr isso acho que o aumento da receita resultante dos vossos trabalhos na presente sessão deve levar em conta a verba de obras publicas, que requer grande aumento, não só para que possam ser atacados os melhoramento de que carece a cidade como também para que possa ser feita a aquisição de um prédio que se pretende pôr á disposição do Estado para que, de acordo com a lei que regula o assumpto, seja instalado um grupo escolar nesta cidade, o que será o maior beneficio que minha administração pode prestar ao povo. Sendo o fumo o principal artigo da nossa exportação, constituindo pôr isso a maior fonte de renda do município, acho que o poder legislativo municipal deve amar o executivo de uma lei que vise garantir a procedência do nosso produto, evitando assim a exploração que muito o desmoraliza e deprime nos mercados consumidores, fazendo passar pôr fabricado neste município fumo de péssima qualidade, oriundo de outros lugares. Seria bastante para isso que o fumo fabricado neste município obrigatoriamente levasse um carinho da municipalidade. O Sr. major Aurélio Rodrigues de Moraes, importante fazendeiro neste município, pretende construir uma estrada de automóveis, servida pôr linha telefônica, ligando esta cidade á estação de Ubatan, da Estrada de Ferro de Govas. Considero de grande de vantagem para esta cidade esse empreendimento de iniciativa particular, pelo que penso que o conselho faria obra de patriotismo autorizando o executivo a conceder um auxilio para aquele fim. Em synthese, é que tenho a vos dizer nesta minha mensagem. Nem é necessário mais. O vosso patriotismo e a vossa esclarecida inteligência, estou certo, vos ditarão medidas que muito concorrerão para a evolução econômica deste município, para cujo desideratum me encontrareis sempre no cumprimento do meu dever. Secundado pôr vós, espero que minha ação será profícua e os meus esforços não serão perdidos. A todos vós, senhores do poder legislativo, as minhas saudações e os votos de constante solidariedade entre os dois poderes, o executivo e o legislativo. Bela Vista, 19 de novembro de 1923. (a) Antenor de Amorim Nascimento.
O major Antenor de Amorim Nascimento, quando eleito intendente municipal, exercia o mandato de senador estadual, que o obrigava a passar as funções executivas, na época dos trabalhos legislativo, ao seu substituto legal, o1º vice- intendente Francisco Medeiros, natural de Bagagem, Estado de Minas Gerais, que residiu em Bela Vista durante 28 anos, tendo falecido em julho de 1935, na avançada idade de 82 anos. Foi sempre cercado de toda consideração. Tinha pôr lema a honestidade e a lealdade para com os seus amigos. Foi um grande patriota deixando traços indeléveis de sua administração municipal, que ligaram o seu nome a história de Bela Vista. Não tinha nenhuma ligarão de parentesco com a sociedade que beneficiou, a que nenhum interesse o prendia senão o de querer administrar o município patriótica e desinteressadamente. Pôr todas essas circunstância, merece menção especial, que poderá servir de estímulo á posteridade.
Foram construídas na sua administração as pontes sobre os córregos que banham a cidade- Ponte de Terra e Sussuapara- tendo também sido abauladas e sargenteadas as ruas cel. Francisco Marques, N.S. da Piedade cel. Morais, 11 de julho, Travessa “ Folha do Sul”, numa extensão de mais de oito mil metros. Foi pôr ele sancionada a lei n.º 14, de 8 de julho de 1924, criando o Grupo Escolar. Obediente á lei, teve oportunidade de dirigir ao poder legislativo os relatórios abaixo transcritos:
“Ilmo. Srs. Presidente e demais membros do conselho municipal desta cidade. Em cumprimento ao dever que me assiste, ex-vi do disposto no art. 53, s 6º. e 11º. da lei orgânica dos municípios, n.º. 205, de 7 de agosto de 1896, envio-vos a inclusa proposta da receita e da despesa deste município para a votação do orçamento vigorar no exercício e 1925. É excursado dizer-vos que, na qualidade de 1º. Vice- intendente e usando revestindo das funções do poder executivo, missão assaz espinhosa, nada poderia fazer sem a vossa proveitosa colaboração, tão eficaz a todos os melhoramento de que necessita este município. Julgo oportuno e também do meu dever dizer- vos que o major Antenor de Amorim Nascimento, intendente municipal, não tem poupado esforços para elevar a administração municipal, que, graças á nova organização, vai recuperando as suas forças vitais. Esse conselho em boa hora votou o projeto, hoje convertido em lei, autorizando o executivo a adquirir um prédio para o fim de ser criado o grupo Escolar. Em seguida á sanção, adquirir o prédio então de propriedade do Sr. Urais Ribeiro, situado na rua 11 de julho, conforme escritura publica de compra e venda passada nas notas do tabelião Milton Costa, datada de 10 de junho do corrente ano, tendo em 2 do fluente lavrado a escritura de doação do mesmo prédio ao Estado, que irá custar e manter o Grupo Escolar. Trata- se, incontestavelmente, de um melhoramento relevante que a atual administração presta á cidade, e assim não posso furtar-me ao consignar, na presente exposição, o nome do deputado estadual Manoel Umbelino de Souza que, com a melhor solicitude, conseguiu do governo do Estado, conjugado com os esforços do meu particular amigo Sr. José Ferreira de Souza Lôbo, a criação do Grupo, que será inaugurado brevemente, para o que, segundo posso assegurar- vos, o único entrave ainda existentes é a falta de professoras normalistas; espera-se, entretanto, que esse obstáculo desapareça, dadas as providencias já tomadas pelo senador Antenor de Amorim Nascimento e do conhecimento do poder legislativo. Como sabeis, o município foi obrigado, para adquirir o prédio, a contrair um empréstimo ajustado com o Sr. João Camilo de Oliveira, na importância de nove contos de reis, empréstimo esse autorizada pela lei n.º 13, de julho ultimo; para cobrir esse compromisso, evitando- se interrupção das obras publicas já iniciadas e bem adiantadas e outras em projeto, é mister que o poder legislativo procure aumentar a renda. Creio não ser necessário estender- me ainda mais, visto estar certo de que, graças ao vosso reconhecimento patriotismo, medidas garantidoras da evolução econômica deste município serão tomadas, convenientemente, para o que estarei sempre pronto a prestar o meu obscuro concurso, quando revestido do poder executivo. Apraz- me do ensejo para apresentar a todos os Srs. membros do Conselho os meus protestos de elevado apreço e distinta consideração, acompanhado de atenciosas saudações. Bela Vista, 15 de Setembro de1924. (a) Francisco Medeiros.
Outra mensagem:
Ilmos. Srs. Presidente e demais membros do Conselho Municipal. Em cumprimento ao dever que me assiste, imposto pôr lei, venho cumpri-lo, com prazer; dando-vos conta de todos os meus atos praticados na qualidade de 1º vice-intendente deste município, quando revestido das funções do cargo, em diversos períodos. Preliminarmente vos declaro que, na medida de minhas forças tenho procurado corresponder á confiança que o eleitorado deste município me dispensou, na eleição realizada no dia 7 Setembro de1923. Confirmo o meu relatório, enviado a esse poder em 15 de outubro ultimo. Sancionei os seguintes projetos: o de n.º 14, de julho, autorizando o poder executivo a adquirir um prédio destinado ao funcionamento de um Grupo Escolar; o de n.º 24, de 23 de setembro, autorizando o executivo a pôr em concorrência publica o serviço de abastecimento de carne de gado vacum á população; o de n.º 20, de 18 de outubro, orçado a receita e a despesa para o ano de 1925; o de n.º 19, de 8 de julho, autorizando a contatar com Guido Ungarellio assentamento de sarjetas; o de n.º 17, de 8 de julho, autorizando o executivo a mandar fechar o muro o pátio da cadeia pública; o de n.º 16, de 8 de julho, autorizando a contrair o empréstimo da quantia necessária á aquisição do prédio para instalação do Grupo Escolar, e outros de menos importância. Tempo procurando, tanto quanto possível, cumprir todas as leis votadas e sancionadas. Em observância ao regulamento da arrecadação e fiscalização das rendas municipais, nomeei inspetores rurais para preenchimento das doze seções rurais existentes no município, tendo todos os nomeados prestado compromisso legal. Exonerei, e pedido, o coletor José Tristão do Prado, nomeando para substituir- lo o Sr. Euzebio de Siqueira, em dias do mês de outubro, o qual entrou em exercício depois de haver prestado a fiança exigir pelo art.3 da lei orgânica dos municípios. Para aliviar a grande carestia de vida que ultimamente se verifica nesta cidade, tomei o alvitre de dirigir- me ao Governo do Estado, solicitando medidas de emergência, tendo felizmente esse apelo sido colaborado pôr diversos outros Intendentes Municipais, em boa hora o presidente Cel. Miguel da Rocha Lima, tendo em vista as justas reclamações que lhe foram dirigidas, baixou o decreto n.º 8.464. e 26 de novembro ultimo, suspendendo temporariamente a exportação de genros alimentos para fora do Estado. Foi uma providencia salutar, que em concorrendo para que os mais necessários genros á alimentação não aumenta preços que só os abastados poderiam alcançar. Parecem – me não ser oportuno declarar- vos que a atual administração municipal tem sido cunda, eis que os melhoramentos já concluídos e outros em andamento estão á vista de todos os habitantes desta cidade e do município. Na minha gestão, a receita recolhida á Tesouraria, deduzida a comissão o respectivo coletor, atingiu o total de 9:977$519, e a despesa em geral o tal de 12:425$720, conforme demonstração junta. São estas, Srs. membros do legislativo, as informações que com prazer, venho de vos expormos – vos digneis relevar as lacunas existentes neste pequeno, mas sincero lá tório. Atenciosas saudações (a) Francisco Medeiros. 1º. vice – Intendente em exercício. Bela Vista, 31 de dezembro de 1924.
O Cel João Camilo de Oliveira, eleito intendente municipal pela segunda vez, no ato de sua posse verificada a 1º de novembro de 1927, a segunda mensagem:
Srs. membros do conselho, Exmas. Senhoras, gentis senhoritas, demais senhores. Assumindo o cargo de intendente Municipal desta cidade, para o qual nos elegeu o sufrágio unanime do eleitores, na eleição de 20 de setembro próximo findo, cumpre – me tornar publico a nossa gratidão aos próceres dos destinos políticos locais, e bem assim os nossos municípios, pela maneira com que se houveram depositando nos dada confiança para gerir, pela segunda vez, os negócios públicos deste município. Cabe- nos pois, assegura – vos que não trairemos essa confiança e que todo o nosso esforço, congregado com o patriotismo e a claridade visão dos Srs. presidente e demais membros do poder legislativo municipal, será empregado pela prosperidade desta terra e pelo bem coletivo. Para que sejamos úteis, tornando profícuo o quadriênio administrativo, tudo faremos pelo que mais urgir, delimitando o nosso campo e ação nas raias das nossas possibilidade financeiras, e senhor, já mais se podem desentender para a finalidade visada pôr nós, portanto um serviço, aliás necessário, qual o da iluminação publica, vem para observar mais da metade das rendas anuais. Não obstante a revisão do orçamento e a reforma tributaria, sem acarretar maior anos aos contribuintes, poderão suprir em parte em aquela falta e o erário empresado escrupulosa e inteligentemente, bastará para sanar as primeiras necessários de obras publicas. Se as circunstancias o permitirem, com a patriarca dos nossos edis, trataremos um matadouro publico, criaremos algumas escolas nos bairros mais populosos, trataremos de beneficiar os proprietários agrícolas com a construção de algumas pontes, trataremos da construção de um jardim em uma das principais praças da cidade e procederemos sistematicamente no melhoramento de nossas ruas. Eis, estimados conterrâneos, o que se nos antolha á imaginação, com as nossas esperanças. A tarefa é bastante árdua e bem grande a nossa responsabilidade, porém, continuaremos a administração inteligente e fecunda que hora se encerra e talvez com mais amor ainda trataremos desta terra e zelaremos pelo seu destino, num gesto de gratidão eterna, pôr abrigar em seu seio os restos mortais de nossos antepassados, que souberam também amar esta terra que lhes serviu de Natal, e que é ainda e será sempre a pia sagrada onde a luz do sol banha a alma dos nossos filhos. Concidadãos, nos vos somos grato pela magnitude deste momento, pôr isso atendei-nos; num só esforço inteligente, unamos nossos corações, cooperando sem receios pela felicidade de nossa terra, cuidando da sua grandeza e do seu futuro promissor.
O Intendente João Camilo de Oliveira procurou cumprir o seu programa administrativo, tendo reconstruído radicalmente o paço municipal, cujas obras ficaram em mais de vinte contos de reis. Beneficiou diversas ruas com abalamento e sargeteamento, não tendo completado o seu programa patriótico, em virtude do movimento revolucionário de 30. Na sua gestão foram sancionadas as leis seguintes: n.º40, de 14 de Novembro de 1927, orçando a receita e fixando a despesa do município em 1928 (orçamento de 49:177$000); n.º41 autorizando o executivo a abalamento de ruas; 45, facultando o pagamento de imposto sem multa; n.º46 autorizando a ratificar o contrato para instalação de força e luz elétrica, todas de 14 de Novembro de 1927. As de n.º 49,50,51,53 e 54, de 25 de Setembro de 1928, respectivamente criando uma biblioteca municipal, concedendo auxilio á política, prorrogando a prazo á Empresa de força e luz, determinando o fechamento da travessa da liberdade, orçando a receita e fixando a despesa do município em 1929, revogou o antigo código de posturas; a de n.º54 de 16 de Novembro de 1929, orçou a receita e fixando as despesas do município em 1929 (orçamento de 47:546$000). A lei n.º55, de 28 de Dezembro de 1929, revogou o antigo código de posturas; a de n.º 54, de Novembro de 1929, orçou a receita e fixou a despesa do município em 1930, na quantia de 41:639$000.
REPARTIÇÕES ARRECADADORAS
O primeiro coletor estadual foi o Sr. José André Rossi, de nacionalidade italiana, o qual exerceu o cargo deste a criação do município; aposentando-se, transferiu-se sua residência para Pouso Alto, onde faleceu em 1930, na avançada idade de mais de cem anos. Foi substituído pelo Srs. Bonifácio da Silva Rocha, falecido em 1933. Com a morte do coletor Silva Rocha, foi no nomeado o atual coletor, Sr. José Ferreira de Morais que exercia o cargo de escrivão da mesma coletoria, hoje exercido pelo Sr. Franklin Gonçalves.
Até 1906, o referido coletor Rossi exerceu cumulativamente o cargo de coletor federal. Pôr decreto de 2 de Outubro de 1916, foi o Sr. Modesto Rios nomeado coletor federal, tendo falecido em Araguarí em Julho de 1935. Em 1922, foi nomeado escrivão da coletoria federal o Sr. Gil Martins, que, exonerando-se, foi substituído pelo atual, Sr. Jarbas Raimundo de Brito.
Exerceu pôr muitos anos o cargo de escrivão da coletoria estadual o finado Hermógenes Antônio Pinto.
A coletoria municipal tem sido exercida pôr diversos, sendo atualmente coletor o Sr. Geraldo Umbelino de Souza.

INSTRUÇÃO
Á generosidade do saudoso intelectual goiano Joaquim Bonifácio de Siqueira, falecido em Bonfim aos 23 de novembro de 1923 cuja pena adamantina muito se bateu pelos interesses do nosso futuro Estado, devemos a remessa do Correio Oficial de 1º de abril de 1876, que publicou uma noticia sobre os festejos da inauguração da primeira casa de instrução de Bela Vista, instalada no dia 21 de janeiro de 1876.
O ato da inauguração revestiu- se todo brilhantismo possível. As nove horas, todos assistentes se reuniram na pequena, capela de Nossa Senhora da Piedade, então filial da Matriz de Bonfim, onde foi cantado solene Te- Deum em ação de graças beneficio que o arraial acabava de receber.
Depois dessa solenidade, organizou- se o préstito que se dirigiu o prédio da aula, rigorosamente pelo sr, Luiz José de Siqueira, o único negociante da localidade, naquela época. Usaram da palavra, no ato inaugural, o comendador Francisco José da Silva, e o Padre Antônio Evaristo da Costa Campos, vigário de Bonfim. Ambos, em breve locução, se congratularam com os habitantes do povoado por tão auspicioso acontecimento.
A noite houve intima festa dançante em casa do Sr. Luiz José e Siqueira, usando da palavra nessa oportunidade o Rvmor Vigário Padre Antônio Evaristo da Costa Campos, que, apesar de sua avançada idade e do seu precário estado de saúde, quis honrar os festejos com a respeitável presença.
O prédio destinado ao funcionário da primeira escola criada arraial foi edificado ás expensas do senador Antônio Amaro da Silva Canedo, sendo depois doado ao Estado.
Todos os atos foram abrilhantados pela corporação musical banda de Bonfim, sob a regência do maestro Antônio Manoel Xavier.
Foi primeiro professor o Sr. Pedro Frederico Brandão, que exerceu o cargo durante quatro anos. Com o seu falecimento, ocorrido em Bonfim, onde se encontrava em Gozo de férias foi nomeado o Sr. Genuíno José Correia, que cursou o Seminário Diocesano de Goiás, onde revelou muita inteligência, deixando o cargo de professor primário de Bela Vista para ocupar o de Secretario do Tribunal de Justiça do Estado.
Foram professoras primárias as Senhoras Exordina Amélia Isolina de Sousa, Idalina Umbelino de Sousa, falecido a Novembro de 1936, a religiosa Irmã Maria Celina, da Congregação Dominicana.
Pelo cel. Antônio Cândido da Costa Morais e sua esposa dona Ludovico de Araújo Morais, ambos já falecidos, foi doado á Mitra, pôr escritura pública de 26 de Janeiro de1901, passada nas notas do tabelião Firmiano da Costa Oliveira, o prédio situado na praça senador Canedo, para o fim de ser mantido um Colégio de Freiras. Este foi instalado sob os auspícios do Bispo Dom Eduardo Duarte e Silva, em 1904, com grande freqüência de alunos internas, semi-internas e externas. Denominava-se Colégio Santa Catarina de Sena. Em 1909 foi equiparado á Escola Normal do Estado, equiparação que se deve exclusivamente aos esforços do Senador Manoel Gonçalves dos Reis. Infelizmente, o Colégio foi fechado caprichosamente, no ano de sua equiparação, depois de haver beneficiado uma Plêiade numerosa de moças inteligentes, sob a direção das beneméritas educadoras Dominicanas.
Pela lei seguinte, foi criado o grupo Escolar da cidade: Lei n.º14 de 8 de Julho de 1924. Francisco Medeiros, 1º Vice-Intendente em exercício da cidade de Bela Vista, faço saber que o Conselho Municipal decretou e eu sanciono a seguinte lei: Art. 1º- Nos termos do Art. 1º s único da lei estadual n.º 694, de Julho de 1924, fica criado um grupo escolar nesta cidade. Art. 2º- fica o Intendente Municipal autorizado a adquirir pôr compra um prédio para funcionamento do grupo. Art.3º- O prédio será doado ao Estado para a manutenção do grupo, ficando o Intendente autorizado a outorgar a respectiva escritura de doação. Art. 4º- Fica concedida a necessária autorização ao poder executivo para fazer as necessárias operações de crédito para execução da presente lei. Art.5º Revogam-se as disposições em contrario. Bela Vista, 8 de Julho de 1924. (a) Francisco Medeiros, 1º Vice-Intendente em exercício.
O Governador do Estado tendo em vista a Fundação do Grupo Escolar, baixou o seguinte decreto: Decreto n.º 8.506, de Janeiro de 1925. O presidente do Estado, considerado que o Conselho Municipal de Bela Vista, pela lei n.º14, de 8 de Julho do ano passado, fundou um Grupo Escolar modelado pelas leis do Estado, e autorizou o respectivo Intendente a fazer a este a doação do prédio de propriedade da municipalidade, para esse fim adquirido, considerando Ter sido remetida ao Governo a planta do doação para os fins legais, aprovada a planta referida e aceita a escritura de doação com a ratificação e em que se exame o Estado ao custeio do Grupo, afim de que seja este provido de um diretor e professoras, conforme a designação do s único do art. 1ºda lei n.º694, de 27 de julho de 1921, cumprindo ao mesmo município as demais despesas com o custeio do Grupo, resolve nomear o Sr. Dr. Antônio de Belém Filho para professor diretor e as normalistas Maria Santana Moura Pacheco e Luiza Nunes da Silva para professoras, declaradas extintas, ex-vi do disposto do s único do Art. 54 do decreto n.º5.930, de 24 de Outubro de 1918, as escolas singulares da mesma cidade, mantidas pelo Estado. Palácio da Presidente do Estado de Goiás, 14 de Janeiro de 1925, 37º da Republica. (a.a.) Miguel da Rocha Lima. Arthur da Silva Jucá.
O grupo foi inaugurado no dia 7 de março de 1925, tendo sido endereçados ao sr. cel. Miguel da Rocha Lima, presidente do Estado, dos seguintes telegramas: Congratulo-me com Vossa Excelência de Amorim. Tenho a honra de comunicar Vossa Excelência foi hoje inaugurado solenemente Grupo Escolar aqui sendo nessa ocasião vivamente lembrado e homenageado o nome e governo de vossa excelência. Valho-me oportunidade agradecer em meu nome o povo belavistense boa vontade criação grupo. Atenciosas saudações, Francisco Medeiros, Vice-intendente em exercício, inaugurado grupo escolar esta cidade, conselho municipal congratula Vossa excelência motivo esse atenciosamente. Diogenes Domingues, José Lôbo, Modesto Rios, Moacyr Canedo.
No ato inaugural usou da palavra o Dr. Belém filho, falecido em 24 de maio de 1925, e o desembargador Luiz Sisenando Xavier Serra dourada, este em nome da municipalidade e aquele em nome do corpo inocente, preferindo o discurso seguinte:
Senhor Francisco Medeiros, dedicadíssimo Vice-Intendente em exercício, Srs. Senador Antenor de Amorim, digníssimo Intendente Municipal, Exmo. Desembargador Luís Sisenando, Sr. João Camilo de Oliveira, meritíssimo Juiz de Direito interno, Exmas. Senhoras e senhoritas, seus Senhores , estando a meu cargo a direção deste estabelecimento, a cuja inauguração nós achamos reunidos, sinto-me na obrigação de fazer o primeiro de vós a fazer uso da palavra neste momento. E é animador da maior boa vontade que a essa tarefa me presto eu, não somente para cumprir um dever, mas ainda, principalmente, por enxergar no momento presente um motivo de justa satisfação para o povo de Bela Vista, e vê agora, depois de vários lustros de ansiosa expectativa, fundar-se a sua cidade o instrumento mais eficaz para a difusão da instrução, apanágio nobilitante do gênero humano. De fato, senhores, apanágio bem a sensação de prazer e entusiasmo que tendes agora, pela beleza de possuir esta fonte onde vossos filhos ao de receber as luzes que muito os auxiliarão na grande pele já de nossos dias, vós o tendes compreendido e não é de hoje que os vossos corações pais dedicados pulsam agitados pela ardente vontade de dar aos vossos filhos a luz cujos primeiros raios já se anunciam com o ato presente, e representa o inicio da realização dos vosso desejos. Essa luz á que me refiro, senhores, é a instrução primaria, que é o limiar da base secundaria. Desta maneira constitui ela o alicerce sobre o qual se ergue este maravilhoso edifício que é o saber humano. Daí senhores, dessa importância primacial que se transforma em necessidade, resultam claramente o zelo, o carinho e a segurança com que deve ser ministrada. Com esses cuidados, instalada no cérebro, este surpreende, coordena os primeiros ensinamentos e, deste modo preparado, está para a percepção de noções sucessivamente mais complexas, a atingir o grau de um poder extraordinário. E então, pode-se dizer que ela é o principio, a razão de todos conhecimentos. Com efeito, sem a ciência da tabuada, não poderia existir os complicados teoremas geométricos, assim como, sem as razões rudimentares da física e da química, não chegaríamos a saber que a água é um liquido formado pela união do Hidrogênio e do oxigênio, dois gases. Enfim, lá onde a instrução não reina, impera a ignorância completa, a cegueira total.
A administração atual do estado, congregando os seus esforços, muito tem mostrado ao povo o quanto tem produzido no sentido de difundir a instrução. Prova-o sobrenade a recente reforma e regulamentação do ensino primário e da fundação de grupos escolares em diferentes pontos do estado. Vós certamente gratos a ela, pela aquisição deste estabelecimento de ensino, não podereis ocultar também o vosso entusiasmo e a vossa satisfação, pois que aqui os vossos filhos experimentarão dentro em pouco aquela sensação que não se descreve, aquele aqui, a criança receberá aos poucos uma luz cujo calor, com as primeiras busca do dever. Aqui ela ouvirá elevada as primeiras noções para a orientação no caminho dos conhecimentos, que lhes serão bases sólidas para a ascensão aos mais complexos ramos do saber humano. Entretanto, senhores, para ela sentir e alcançar tudo isso, não é suficiente estar matriculada aqui, é indispensável a sua frequência assíduas às aulas. Mister se torna, pois que os senhores pais estejam vigilantes neste sentido, procurando secundar em casa os conselhos da vida e avivando o interesse pelas aulas no espirito do filho. Assim estou certo de que lá, a criança em idade escolar, lucrará o máximo possível com o que aqui se exercer nesta casa o honroso cargo de professores; que ides dentro em o conjunto de noções que constitui a instrução primária; a vós que ides guiar-lhes os passos no caminho dos conhecimentos; a vós me dirijo eu, para dizer-vos os passos no caminho dos conhecimentos; a vós me dirijo eu, para dizer-vos que me sinto abalado neste instante pelo grande choque produzido pelo encontro das alegrias de hoje com a lembrança das responsabilidades de amanhã. Não porque temos as responsabilidades, pois a elas estou aceito, mas é que as encaro a serio e por isso me preocupam. Entretanto, espero que o vosso auxilio eficaz, o cumprimento exato do vosso dever e a vossa dedicação aos alunos sejam tão evidentes quanto naturais e espontâneos, são estes predicados no vosso sexo. Assim, as responsabilidades se tornarão mais suáveis, e no fim do ano, a recordação dos dias que teremos de passar na convivência da família escolar, construirá para nós um grande conforto, de que saberemos gozar com a tranqüilidade de quem cumpriu fielmente o seu dever. Assim o desejo, senhores: antes de terminar, apresento minhas felicitações e os meus parabéns aos Srs. Senador Antenor de Amorim, deputado Manoel Umbelino, Francisco Medeiros, João Camilo de Oliveira e José Lobo, pois estes senhores se me afiguram merecedores dos maiores encontros porque, cada qual na sua esfera, não pouparam esforços pela realização da idéia que esta solenidade coroa com maior êxito possível. E agora terminando a minha tarefa, certo embora de a ter cumprido deficientemente, declaro instalado o Grupo Escolar de Bela Vista.
A idéia da criação do grupo nasceu de uma palestra nossa com o deputado Manoel Umbelino de Souza, ocorrida na capital do estado, como faz certo a carta seguinte: câmara dos deputados. Goiás, em junho de 1924. J Lobo afetou saudar. O presidente do estado me perguntou sobre o andamento do grupo, dizendo-me que se devia cogitar desde já de obter professoras normalizas. Conforma já tive ocasião de te dizer, o cel. Miguel da Rocha se empenha para que o grupo se instale ainda no seu governo. Agora, depende da tua ação no Conselho Municipal, tratando com urgência da lei criando o grupo adquirindo-se o prédio que, conforme falávamos aqui na tua ultima estadia, deve ser doado pela municipalidade ao estado. Mãos á obra, sem perca de tempo. Podes ficar certo de que o desideratum de beneficiar essa cidade com um estabelecimento de ensino, será coroado de êxito. Abraços do sempre amigo, M. Umbelino.
LUZ ELÉTRICA
Pela lei nº.38, de 18 de janeiro de 1927, sancionada pelo Antenor de Amorim Nascimento, foi concedo privilégio ao Sr. João Faleiro da Silva para instalação do serviço de força e luz, cujo trato foi efetivado nos termos da proposta oferecida pele referido comissário, com pequenas modificações. A luz foi inaugurada debaixo da satisfação popular no dia 1º de setembro de 1929, na administração do cel. João Camilo de Oliveira.
Todo o serviço da empresa foi caprichosamente feito. Pertencente ao Cel. Felismino de Souza Viana, grande industrial residente em fim.
Os benefícios da luz incandescente hoje se manifestam nas surpreendentes realizações do século.
Bela Vista não possui mais á noite; fisionomia tristonha de senhore, mas apresente uma visão magnifica, com a sua luz a embelezar as ruas e praças, escorraçando as trevas.
LINHA TELEGRÁFICA
A inauguração da estação telegráfica, realizou-se no dia 15 de novembro de 1918, na administração sr. Olímpio de Araújo Melo. Foi dada pelo competente telegrafista sr. Felicíssimo do espirito santo, ligada á linha de Pouso Alto num percurso de 42 quilômetros.
Esse grande melhoramento foi realizado com o auxilio de 5000 concedido pelo governo do Estado, conforme lei nº.481, de julho de 1914, e também com os proventos obtidos por intermédio na subscrição popular com os seguintes dizeres, tratando-se de obter alongamento da linha telegráfica de Pouso Alto a esta cidade, abre-se a subscrição entre os homens patriotas e amantes do progresso terra, com o fim de adquirir-se a importância necessária para ás despesas que impõe um melhoramento de tal vulto. Para isso foi organizada a seguinte comissão: Nicolau Tolentino Marques, Manoel Umbelino de Souza e José Lobo, procuradores de Bela Vista, 1º de janeiro de 1914. A subscrição atingiu o total 120$500; entretanto somente foi arrecadada a importância de 484$000.
Resposta a uma carta que a comissão dirigiu ao então senador estadual, cel. Luiz Guedes de Amorim, já falecido: 3 anos. Srs. Manoel Umbelino, Nicolau Marques e José Lobo. Cordiais saudações, muitos afazeres não me permitiram responder á mais tempo a carta coletiva dos distintos amigos. Vou tomar todo interesse pelo pedido que formularam, e farei todo possível para que no congresso seja votado o auxilio de 3.100000 para a construção da linha telegráfica de pouso alto a essa cidade, medida que muito concorrerá para o estreitamento de relações comércio local. Sempre ao inteiro dispor aos amigos, fica o que é de Luiz Guedes de Amorim. 13/05/1914.
Como o auxilio de 3.1000000 adicionado a importância de 484000, da subscrição, não bastasse para cobrir as despesas como prolongamento da linha, a idéia ficou adormecida até 1918, quando o major Antenor de Amorim Nascimento procurou, em boa hora, reincetar a obra, promovendo sem desfalecimentos, meios de completar o quanto é necessário á efetivação de tão relevante serviço.
A municipalidade, entretanto, não concorreu com nenhum auxilio, dada a sua desorganização e conseqüente dificuldade financeira na época. Assim, releva dizer que, em grande parte se deve o benefício da linha telegráfica em Bela Vista aos esforços do major Antenor de Amorim.
IGREJAS
A antiga igreja, edificada em 1872, foi bastante melhorada em 1903, com subscrição popular. Deixada em abandono, pela dificuldade da manutenção de dois templos em bom estado, numa cidade relativamente pequena, foi demolida em 1936. Com ela desapareceu a melhor relíquia histórica de Bela vista.
A outra igreja, situada na principal praça da cidade, foi construída em 1909, era em que se achava gravada e um de seus sinos, por iniciativa do então Vigário da Paróquia, Padre Antão Jorge, da congregação dos redentores. Em 1925 foi reconstruída graças aos esforços do padre Conrado Kohlmann, também redentor, tendo sido empregados na sua construção e reconstrução mais de cem contos de reis, importância obtida entre o povo da Paróquia. É um templo elegante, confortável, bem ornamentado, comportando cerca de mil pessoas.
PAROCOS
Elevado o arraial á categoria de freguesia, foi o Padre Antônio Evaristo da Costa Campos, vigário de Bonfim, encarregado da Paróquia. O primeiro vigário com residência fixa foi o Padre João Francisco de Azevedo, falecido em avançada idade em São José do Tocantins, norte do estado.
Substitui-o Padre Braz da Costa Oliveira, nomeado em 13 de dezembro de 1882 e exonerado em 11 de novembro de 1898. Era filho do arraial da barra, município da velha capital de Goiás, e viveu em Bela Vista durante muitos anos, tendo falecido em 1913, com 87 anos; os seus restos mortais estão inhumados na capela do cemitério da cidade.
Estando Padre Braz em idade muito avançada, foi a Paróquia entregue aos Padres Redentores, durante mais de 6 lustros, com ligeiras substituições, feitas pelo padres José Maria da Anunciação Rocha e Américo de Jesus Araújo Paz, ambos falecidos. Atualmente está a paróquia entregue ao padre Francisco Sales Péclat, coadjutor do Vigário de Goiânia, Cônego Abel Ribeiro Camelo.
Na ata da inauguração da navegação a vapor no Rio Araguaia, lavrada em 28 de maior de 1868, 47º. Da independência do império, figura o nome do Padre Braz da Costa Oliveira, que oficiou a cerimônia religiosa, na qualidade de capelão do presídio de Leopoldina, esse sacerdote sobreviveu a todas as pessoas que assinaram a ata inaugural referida.
CEMITÉRIOS
O primeiro cemitério da cidade foi edificado muito modestamente na praça onde está situada a nova Mariz, por iniciativa do Sr.. Luiz José de Siqueira, com subscrição popular. Da nossa infância guardamos lembrança do perímetro do cemitério, cercado de muros, com toscas apularas de grade de madeira.

Acha-se o atual localizado á margem direita do Córrego Sussuapara, em lugar bem elevado. Foi edificado pelo saudoso cel. Antônio Cândido da Costa Morais, com pequeno auxílio dos habitantes da cidade. um cemitério bem construído, onde dormem o sono eterno grandes altos cujos nomes estão honrosamente ligados á história de Bela Vista, o cemitério possui uma bem cuidada capela. Quando iniciou os trabalhos de construção o cel. Costa Morais, filho de Bonfim, começou a preocupar-se, pensando qual seria a primeira pessoa a ser enterrada no cemitério. Mal sabia que o destino para tal escolhera sua única filhinha Ana, que acometida de febre infecciosa, faleceu na idade de 7 anos, em agosto de 1893! Esse fato muito abalou o espírito do cel. Costa Morais, homem patriota e empreendedor, falecido a 18 de dezembro de 2002. As palmeiras que circulam o cemitério foram plantadas pelo mesmo Antônio Cândido da Costa Morais.

IMPRENSA
Por iniciativa de diversos, graças ao acendrado patriotismo de Honestino Guimarães, talentoso, ilustre homem de letras e de seus Benedito Guimarães, falecidos respectivamente em 15 de março de 1931 e 23 de outubro de 1909, circulou em Bela Vista o FOLHA DO SUL jornal de feição moderna, impresso em papel de rosa, que relevantíssimos serviços prestou a cidade. O seu primeiro número saiu a publicidade no dia de 20 de janeiro de 1905. Impresso a maioria dos habitantes da cidade se dirigiu ao prédio onde estava instaladas as oficinas, na rua Luiz de Siqueira – prédio já demolido – e sob as maiores demonstrações de entusiasmo realizou-se a benção do pelo, paraninfando o ato a Exma. Sra. D. Emereciana Augusta Umbeino de Souza, viúva do Cel Pedro Umbelino de Souza, falecido a 6 de junho de 1930.
Honestino Guimarães, redator do jornal, distribuiu antecipadamente um boletim com os seguintes dizeres: Folha do Sul. A terra dos buritizais sussurrantes, em cujas verdes folhagens encantadoras a brisa perpassa cantando o hino da liberdade, vai ter o seu jornal, o impulsionado das forças produtoras do seu progresso, A FOLA DO SUL sairá no dia 20 do corrente. E quando filhos de outras pragas e quando habitantes de outras localidades receberem o porta-voz da grandeza desta bela e hospitaleira terra, todos clamarão: – Abençoada Bela Vista, bendita Pérola do Sul.
Teve a “folha” vida brilhante e direção firme até 1909, quando deixou de circular por motivos imperiosos.
O período de 1905 a 1909 foi a fase de maior projeção intelectual e material notada na cidade de Bela Vista. Dar-se que a providência Divina guiava a Pérola do Sul a caminho dos seus grandiosos destinos.
Honestino Guimarães foi um dos elementos mais representativos da intelectualidade goiana. Fez os seus preparatórios do tradicional Seminário de Santa Cruz, daí então, transportou-se em seguida para Santarém, Portugal, dedicando-se ao Jornalismo, afim de fazer os estudos teológicos para abraçar a carreira eclesiástica. Faltando-lhe a vocação necessária regressou de Portugal, dedicando-se ao jornalismo, para o qual tinha raro pendor. Fixou residente em Palmeiras, neste estado, onde fundou em 1890 o jornal “A Verdade”. Em 1902, transferiu-se para a capital do Estado, onde fundou, com Joaquim Bonifácio e outros, a folha de Goiás.
Residiu depois em Bela Vista, de onde se transferiu para campinas, hoje subúrbio de Goiânia, a nova capital, dedicando-se ao comércio, á agricultura, e depois a profissão de farmacêutico; nesse caráter, exerceu medicina prática, com caridade e consciência, prologando numerosas vidas. Exerceu também, com muita competência, a profissão de advogado provisionado. Militou por diversas vezes na política do estado, tendo sido eleito deputado estadual em 1917, desempenhando o seu mandato com muita inteligência e atividez. Em Campinas foi eleito intendente municipal, por unanimidade, espírito combatente, teve uma existência laboriosa e cheia de lutas.
Justifica estes ligeiros traços biográficos o fato de estar o nome de Honestino Guimarães ligado intelectualmente á história belavistense.
GRÊMIO INSTRUTIVO
A 3 de setembro de 1905, foi criado em Bela Vista, sob os melhores auspícios, um Grêmio instrutivo, que teve como sócios fundadores Cileneu de Araújo, Honestino Guimarães, Firmiano da Costa Oliveira, Idomeneu de Araújo, Antônio Batista Arantes, Egesileu de Araújo, Antonino da Silva Carneiro, Diógenes Domingues, José da Silva Carneiro, Inácio Elias, Perciliano Lobo, João Araújo Pinto e José Ferreira de Souza Lobo.
A instalação do Grêmio e a posse da diretoria realizaram-se no dia 10 de setembro do mesmo ano de 1905, na sala principal do Paço Municipal, ficando a diretoria assim constituída: Presidente, Cilineu de Araújo; vice-presidente; Egeliseu de Araújo; Orador, Honestino Guimarães; Tesoureiro, Firmiano da Costa Oliveira; 1º Secretário, Diógenes Domingues; 2º Secretário, Idomeneu de Araújo.
Na sessão da instalação foi considerado presidente honorário o Dr. Francisco Martins Ribeiro, então juiz de direito da Comarca. Foram propostos e aceitos como sócios beneméritos os Srs. Felicíssimo Domingues, Juvêncio Domingues, Brasilino Roque Teixeira, Manoel de Souza Lobo, Pedro Umbelino de Souza, cel. Francisco Joaquim Marques, José André Rossi, João Agostinho de Siqueira, Joaquim Camilo de Oliveira, Nicolau Tolentino Marques, Benedito Monteiro Guimarães , Pedro Acioli de Gouvea Lins e José Basílio Ribeiro.
A 15 de novembro de 1906 saiu à publicidade o periódico o canal, (órgão do Grêmio, de pequeno formato, impresso nas oficinas da Folha do Sul, nascido sob o influxo de jovens amantes da instrução da difusão dos grandes ideais. Depois de uma existência áurea, desapareceu o Grêmio e com ele o seu jornalzinho, redatoriado pela pena cintilante de Cileneu de Araújo. O Grêmio muito se desenvolveu, tendo os seus princípios conseguido dotá-lo de uma escolhida biblioteca, a qual muito concorreu para o desenvolvimento cultural da mocidade belavistense daquela época.
VIAS DE COMUNICAÇAO

Em 9 de março de 1920 foi inaugurada a primeira estrada de automóvel, ligando Bela Vista a “Roncador” , então ponto terminal da Estrada de ferro de Goiás, num percurso de 108 quilômetros. Foi construído pelo cel. Edmundo José de Morais, com auxílio do governo federal e do Estado. Foi um dia de grandes festejos na cidade, porque a maioria de seus habitantes ainda não conhecia automóveis. Nas solenidades da inauguração, usou da palavra, em nome do povo, o ilustre facultativo Dr. Teixeira Alvares Junior, atual secretário Geral do estado. Em nome do Ministério da Viação, falou o fiscal da estrada, dr. Luiz Cavalcanti Coelho Cintra.
Hoje em Bela Vista está ligada a todas as cidades e povoados, e a diversas propriedades agrícolas. Dista de Goiânia, nova capital do Estado, 60 quilômetros; de Bonfim, 60; de Pouso Alto, 36; de Vianópolis, 72; de Leopoldo de Bulhões, 66 quilômetros.

As outras estradas, inclusive as rurais, são relativamente boas, as condições do terreno, geralmente plano, com ligeiros acidentes.
LIMITES DO MUNICÍPIO
O município de Bela Vista limita-se com os de Goiânia, Bonfim, Pouso Alto, e os distritos de Santa Cruz e Hidrolândia, não existindo nenhuma pendência nas linhas divisórias.
QUALIDADES DAS TE RRAS
As terras do município são geralmente boas, havendo algumas regulares; mas propriamente não há. São argilosas na maior parte e arenosas, em menor proporção. Algumas são pedregosas, frescas e enxutas, não havendo terras pantanosas. A vegetação é representada por matas virgens de ótima qualidade, capoeiras, cerrados e campo de criar, não existido carrascais.
Nos campos naturais predomina o capim branco ou agreste, e nos artificiais o Jaraguá e o catingueiro; não existe erva.
HIDROGRAFIA
O município é banhado pelos rios Meia-Ponte, Piracanjuba, ribeirões de Boa Vista, Arapuca, Sozinha, São José, Aborrecido, numerosos córregos permanentes de pequeno volume, não existindo lagoas ou pântanos.
No município, e até mesmo na sede, abunda o buriti, que se assemelha á palmeira, uma das árvores mais encantadoras e mais altas do País, nativa em lugar regado por pequenos córregos.
CULTURAS
Os agricultores cultivam milho, feijão, arroz, cana de açúcar, mandioca, café, fumo, sendo as culturas do arroz, do fumo e da cana de açúcar as mais importantes.
O fumo cultivado em Bela Vista merece especial exposição por ser considerado o melhor não somente do estado como também de todo o Brasil.
As terras do município são privilegiadas para a sua cultura. Assim, pois, julgamos de nosso dever dizer algo sobre esse produto, que muito tem considerado o melhor não somente do Estado como também de todo o Brasil.
O fumo pertence a família das solaneas, de Jussieu, e é hoje muitíssimo cultivado, em virtude do seu extraordinário consumo mundial. Divide-se em três espécies que são: a Nicotina mucrófila, a Nicotina tabacum e a Nicotina nestica. Cada uma dessas espécies desdobra-se em grande variedade, sendo a mais cultivada a nicotina tabacum, a mais desenvolvida de todas.
Os agricultores do município de Bela Vista cultivam o fumo com muito capricho; os viveiros são feitos de preferência em terras virgens e, na falta dessas, em terrenos bem cuidados e adubados. Revolvida terra, deitam sobre os canteiros capim seco e areiam fogo, destruindo assim, os insetos e seus ovos, as cinzas são depois removidas com a terra. Como as sementes de fumo são pequenas, misturam-se com cinza no momento de semeá-las. Após a semeação, as sementes são envolvidas na terra, fazendo-se a irrigação indispensável, a fim de ser mando humildo o solo.
A excelente qualidade do fumo depende da cultura racional e cuidados especiais agrológicos e técnicos, desde a sementeira até enfardamento do produto. Em uma situação climatérica própria á cultura, sob os mesmos graos de latitude, a mesma altitude, temperatura média, o mesmo grão higrométrico, pluviométrico e outros elementos, pode variar muito em dado ano e contrariar assim a marcha vegetal normal, não obstante os zelos do cultivador. Correndo bem a estação dando feita a cultura em zona própria. Podem falhar os cuidados que prometem o cultivador, tais como a rotearia metódica, análises das ilhas, solo, correções físicas, químicas e mecânicas, adubações, estrumaçóes no solo arável, trato da planta com capacitação, secamento e complementações.
O fumo no município de Bela Vista é fabricado de processos artificiais, sendo o se aroma unicamente produzido pelo terreno, que é, como ficou dito acima, privilegiado para a sua cultura. O município exporta anualmente cerca de 10 a 12 mil arrobas de fumo em corda e em pasta, tendo sempre grande procura nas praças de São Paulo e Minas. Bela Vista é o único município que exporta folhas prensadas que variam de 60 a 180 quilos. Os exportadores colocam aniagem própria no interior da prensa da madeira, e no fundo são colocadas folhas deslatadas, de modo que as mesmas não possuem dobradas. Cheia a prensa, são as folhas comprimidas e fechadas. A pressão exercida sobre os fardos tem por fim diminuir o volume e produzir ligeira fermentação de aperfeiçoamento que concorre para a conservação.
O processo adotado no município para a manufatura do fumo é ainda rotineiro; mesmo assim, conseguem os fabricantes preparar excelentes artigos, com esmerado capricho.
Seria de grande vantagem que os principais produtores de fumo município de Bela Vista adquirissem máquina para a fabricação. Essa máquina foi inventada em o outubro de 1890; é de madeira, de preço reduzido, composta de um fiador, um acumulador e um acochador.
A indústria do tabaco é a principal fonte de riqueza do município, é mesmo o alicerce de sua economia, deixando resultados compensadores não somente aos fabricantes, como também aos compradores, tudo isso, deve ser olhada com todo o interesse. É uma fonte de renda que está ao alcance de qualquer lavrador, visto não exigir recursos, sendo mesmo indústria dos pobres, dos desprotegidos, pois até as crianças prestam grande auxílio na sua cultura.
Pensamos que seria de extraordinária vantagem que os comerciantes de Bela Vista que dispõem de capital, organizassem uma companhia mercantil com o fim de explorar o comércio do fumo, com escritório de propaganda nos centros consumidores, criando também fábricas de cigarros e de fumo beneficiado.
Transcrevemos, a seguir, um trecho extraído da obra “da cultura do fumo”, do engenheiro agrônomo da Baia, João Silvério Guimarães: a cultura do fumo no Brasil, sob o ponto de vista agrícola, era operada pelos aborigens, antes da descoberta de Pedro alvares Cabral em 1500.
Pela época do descobrimento os portugueses encontraram entre os costumes e usos dos Tupis o de plantarem o fumo, secando e curando as folhas em suas habitações, enfardando-as em canudos de folhas de palma, como cigarros, trabalhando-os em argila, ensinando os europeus a se utilizarem da planta, como os Aztecas e os Incas ensinaram aos conquistadores de seus domínios.
A história da cultura econômica, no Brasil, é pois, contemporânea da história do seu descobrimento, como demonstram as descrições de Gabriel Soares, de Frei Francisco, André Thevet, Saint Hilaire, Estácio de Sá, Menezes e Inácio Acioli, que falam do pitum, da cura de petum na oca, do tudo de folhas cheio de fumo e atado na extremidade, pitum-pita ou charuto com que os murubixabas solenizavam as declarações de guerra aos inimigos, o pituma-cui ou pó, as fumaradas do curandeiro e adivinho, a salinização dos caraibés, piagas ou caraíbas aspirando a fumaça de cachimbos.
A prova do resultado auferido na mecânica do fumo, temos no americano Benjamin Duke, que fez uma fortuna superior a oitenta mil contos, começando a as vida vivendo cigarros num pequeno balcão, de onde aos poucos foi estendendo os seus negócios, da freguesia de uma modesta casa, passou a Ter a freguesia de diversos países. O seu primitivo balcão atravessou os mares e entrou pelos continentes.

INDÚSTRIA PASTORIL

A criação do gado vacum no município é relativamente desenvolvida, sendo a maioria composta de mestiços de zebú, raça que foi introduzida no município pelos fazendeiros oriundos do Estado de Minas, Antônio Ribeiro da Silva e José Basílio Ribeiro, já falecidos.
PRIMEIROS ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS
Foram Luiz José de Siqueira e Joaquim Gregorio da Silva Lima, filho da cidade de Uberaba, estado de Minas, as pessoas que primeiro se estabeleceram em Bea Vista com casas comerciais, vieram depois as firmas Galdino José de Siqueira João Antônio Pinto, Costa Morais & Cia, e José Benedito Teles.
As primeiras boticas foram as dos Srs João Antônio Pito e Luiz José de Siqueira, vindo depois a do Sr. Juvêncio Domingues
TRAÇOS BIOGRÁFICOS DOS PRINCIPAIS BENFEITORES DE BELA VISTA
Luiz José de Siqueira, nasceu em São João Del Rei, estado de Minas; transportando-se para este estado, fixou residência em Bonfim, se contraiu núpcias com dona Ana Gomes Gerais, filha de Joaquim Gomes da Silva Gerais e de Dona Maria da Cunha Teles. Transferiu-se para o arraial de ela Vista, onde se estabeleceu com casa comercial amigo do progresso, construiu as suas expensas um chafariz público e um cemitério, dotando o então arraial de Bela Vista dos primeiros melhoramentos. Faleceu já em avançada idade, na cidade que tanto beneficiou nos tempos imperiais.
Senador Antônio Amaro da Silva Canedo. Nasceu na fazenda denominada João de Deus, no município de Bonfim, tendo contraído províncias com dona Guilhermina de Araújo, falecida, filha do cel. José de Araújo Neto, que foi o maior proprietário de terras daquele município.
Transferiu sua residência para o arraial de Sussuapara, onde tinha apenas meia dúzia de casas modestas.
Entretanto nas lutas políticas de sua terra, tornou-se logo um chefe de maior projeção do partido conservador. Nesse caráter, foi designado a assembléia Provincial em diversas legislaturas.
Proclamada a república, foi incluindo na lista de senadores federativos á constituinte, juntamente com o ilustre Dr. José Joaquim de Souza, da velha capital do estado, e o cel. Antônio Paranhos da Silva, de personalidade portuguesa, então residente na cidade de Catalão. A princípio recusou sua candidatura, tendo afinal acedido a representar-se no congresso nacional em virtude de ingentes esforços de seus correligionários. Na primeira eleição, realizada a 15 de novembro de 1890, para senadores e deputados federais, o senador Silva Canedo teve votação em primeiro lugar.
Iniciou a sua brilhante carreira política exercendo o cargo de delegado de polícia do distrito de Bela Vista, para o qual prestou compromisso legal perante o Conselho Municipal, de Bonfim, em sessão a 12 de setembro de 1876.
O seu passado político é por demais nobilitante, como bem mostram os documentos abaixo transcritos.
“A princesa Imperial Regente, em Nome de sua majestade o imperador, o senhor Dom Pedro Segundo, faz saber aos que esta carta patente virem, que há por bem nomear Antônio Amaro da Silva Canedo, para o posto de coronel comandante superior da guarda nacional da comarca do Rio Corumbá, na província de Goiás e como tal gozará de todas as honras, privilégios, liberdade, isenções e fraquezas que diretamente lhe pertencem.
Pelo que manda a autoridade competente que lhe dê posse de prestar o devido juramento e o deixe servir e exercer o dito posto; aos oficiais superiores que o tenham e reconheçam por tal, honrem e estimem, e a todos os seus subalternos que lhe obedeçam e guardem suas ordens no que tocar ao serviço nacional e império tão fielmente como deve me são obrigados. Em firmeza do que manda passar a presente Carta Patente. Ela assinada, que se cumprirá depois de selada com o selo do Rio de Janeiro, em quatro de agosto de 1887, sexagésimo sexto da independência e do Império. Princesa Imperial Regente.
QUARTEL GENERAL do comando superior da guarda nacional da capital federal, em 23 de janeiro de 1894. Ao senhor coronel A.A. da Silva Canedo, senador pelo estado de Goiás. A prontidão com que a guarda nacional desta capital mobilizou-se sob o meu interno comando a dedicação com que todos os batalhões, alguns já organizados, outros em vias de organização, se apresentaram sem exceção, sem dúvida, sem uma hesitação, para a defesa da constituição federal e da autoridade legal representada pelo vice-presidente da republica em exercício do cargo de presidente, Marechal do Exército Floriano Peixoto, o heroísmo com que guardas nacionais juntos, firmes, sob o comando de um dos companheiros, chamado, por um com curso de circunstâncias imprevistas á direção de força tão importante pelo numero, como pela natureza dos seus elementos, o heroísmo, repito, com que se tem batido a Guarda Nacional pela sustentação da autoridade legal enfureceu um certo número de indivíduos, habituados a ridicularizar a nobre milícia cívica, a zombar da instituição e procurar esquecer suas antigas tradições. Em sua fúria de inveja e decepções, não podendo chamar as guardas nacionais nem de covardes, nem de destruidores, nem de traidores, nem de indolentes, intrigantes de baixa esfera, não tem tido a franca coragem de levantarem acusações formais contra a nossa valiosa e leal milícia, as minhas mãos não têm vindo nem representações, nem denuncias que assinaram por um cidadão que seja mereçam a consideração da autoridade. Todavia, nas ante-salas das repartições, a espera de deferimento de qualquer pretensão, nas antecâmaras dos poderosos, em recantos escuros de secretarias, de quanto em vez um memuria caluniador se ergue contra um oficial contra um comandante , contra um batalhão, contra a Guarda Nacional enfim, e, no propósito de marear tudo, propalam insistente e insidiosamente que não há escrúpulo no movimento financeiro dos corpos, que há excesso nos recebimentos e despesas dos batalhões, que se especula com os gêneros donativos particulares, e que não prestou a necessária correção no emprego das quantias arrecadadas. Conquanto, a calúnia chegou até este comando. Embora anônima, não consentirei que semelhante imputação tome vulto, entendi meu dever nomear uma comissão de pessoas acima de toda a exceção habilitadas em contabilidade ou nas letras de reconhecida e histórica convicção republicana, de forma a merecer toda a confiança dos que desejam ver sempre elevados os créditos da Guarda Nacional da qual como comandante sou o primeiro a zelar a reputação. Assim aceite a delicada e cívica incumbência de, com os Srs. Coronal João Cordeiro Senador pelo estado do Ceará, e tenente Coronel José de Medeiros Albuquerque, em serviço junto ao Sr. ministro da Justiça e redator do IMPÉRIO, em comissão procedes a todos os exames que julgueis acertados sobre todas as repartições da Guarda Nacional na capital federal, requisitando deste comando superior o que houverdes mister para que não fique dúvida alguma sobre o modo levantado, digno, honesto e leal por que se têm conduzido os comandantes oficiais e guardas da briosa Guarda Nacional da Capital Federal, cel. Fernando de Almeida, comandante superior interno.
DOM PEDRO por graça de Deus e Unanime aclamação dos povos, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, como Grão Mestre da ordem rosa, faço saber aos que esta minha carta virem que, atendendo aos revelastes serviços prestados aos estado pelo coronel Antônio Amaro da Silva Canedo: – hei por bem nomear o oficial da dita ordem, pelo que lhe mandei passar a presente, a qual, depois de prestado o juramento do estilo, será selada com o selo das armas do império, dada no palácio do Rio de Janeiro em 16 de outubro de 1858, sexagésimo a independência e do império. Imperador José Fernandes da Costa Pereira Júnior, carta pela qual vossa majestade imperial, há por bem nomear oficial da ordem da rosa ao coronel Antônio Amaro da Silva Canedo, com acima se declara para vossa majestade Imperial Vera.
O senador Silva Canedo criou em Bela Vista uma banda de música, adquirindo as suas expensas todo o instrumental, e mantendo durante quatro anos, o Sr. João José Leite, segurou a mensalidade de $60000.
Para a edificação da Igreja de Nossa Senhora da Piedade, foram quase todo o material necessário e ainda dois si nos.
Ao senador Antônio Amaro da Silva Canedo, um dos seus maiores benfeitores, deve Bela Vista os mais relevantes serviços.
Faleceu no Rio de Janeiro, acometido de febre amarela, a 4 de agosto de 11895. Os seus restos mortais foram transladados para o cemitério de Bela Vista, conforme desejava a sua família.
Cel. Manoel dos Reis Gonçalves, filho da cidade de Corumbá, neste estado. Transferiu sua residência da lendária cidade de Santa Cruz para Bela Vista, a 21 de agosto de 1881 e em 1903, transferiu-se desta para a antiga Capital do Estado, onde faleceu em 1933, com 75 anos e idade. Habitou em Bela Vista a convite do senador Silva Canedo e do cel. Antônio Cândido da Costa Morais.
A ele se deve a elevação do distrito de Bela Vista a categoria da cidade e, em seguida, a criação da comarca, em 1898, graças a um elevado gesto político que soube conquistar.
Era dotado de esclarecida inteligência, aliada a uma grande ponderação, o que lhe serviu para colaborar na política local ao lado dos elementos mais representativos da época, que lhe dispensavam a máxima confiança e sincera admiração.
Em diversas legislaturas foi eleito deputado estadual pelo circulo de Bela Vista, tendo sido também senador estadual.
A ele coube o grande trabalho de organizar os negócios administrativos do município, onde passou a maior parte da sua mocidade, cercado de toda estima e acatamento.
Cel. Antônio Cândido da Costa Morais, era filho da cidade de Bonfim, tendo contraído núpcias com Dona Ludovina de Araújo. Transferindo-se para Bela Vista, dedicou-se à profissão de fazendeiro e comerciante. Era dotado de grande coração. Militou na política local ao lado do senador Silva Canedo, Cell Reis Gonçalves e outros elementos de projeção no município. Ponderado e criterioso, era por todos consultados e os seus conselhos de homem experimentado eram fielmente seguidos.
Deve-se a construção do cemitério da cidade, feita por sua iniciativa, com pequeno auxílio popular, como tivemos oportunidade de dizer no título “cemitério”.
Amante da instrução, doou a Mitra, em 1902, um prédio, um dos melhores da cidade naquele tempo, para a manutenção de um Colégio de Freiras, conforme já nos referimos sob o título instrução. Faleceu a 18 de dezembro de 1902, não tendo tido a satisfação de ver instalado o Colégio com que o seu acendrado patriotismo quis dotar a cidade.
Cel. Francisco Joaquim Marques, era filho da cidade de Santa Cruz, residiu em pouso Alto, de onde se transferiu para Bela Vista em 1896. Homem culto, muito contribuiu para a boa marcha da vida administrativa do município, elaborando o regime interno do poder legislativo municipal e o primeiro código de posturas do município. Militou na política local, como chefe do partido dirigido pelo ilustre estadista Goiânia, dr. José Leopoldo de Bulhões, jamais abraçou outra corrente partidária.
Possuidor de sólida cultura e caráter ilibado, levou uma vida exemplar, cercado de um ambiente de invejável tranquilidade, diversas vezes exerceu o cargo de Juiz Municipal, e neste caráter, o de juiz de direito interno, graças ao seu raro pendor pela ciência do direito, as duas sentenças foram sempre esboçadas com pleno conhecimento da causa em lide.
Na “Folha do Sul” teve a oportunidade de publicar brilhantes artigo filosóficos, que bem demonstravam a sua cultura.
Falecem em 1922 na avançada idade de 87 anos, legando um nome honrado e cheio de exemplos á sua família.
Dr. Cileneu de Araújo, manda a justiça que se lhe faça benção especial. Deve-lhe Bela Vista valiosos serviços, pelos quais dedicou sempre os seus melhores esforços e as luzes do seu talento de escol, acompanhando sempre com empenho os fatos ligados á história político administrativa belavistense.
Ainda muito moço, ocupou o cargo de secretário do conselho municipal, em cujo posto logo se ornou oráculo dos membros daquele poder, tudo fazendo e orientando com a maior elevação de vistas.
Militou na imprensa local, o que lhe ofereceu desejos em versos magníficos, e em prosa admirável, os encantos da Pérola do Sul.
Ocupou em diversas legislaturas o cargo de Juiz Municipal e, deste caráter, o de Juiz de Direito interno, demonstrando sempre sólido espírito de Justiça.
Transferiu-se mais tarde para a antiga capital do estado, foi eleito por três vezes deputado á câmara estadual, tendo desempenhado o mandado com raro brilhantismo, foi líder da câmara estadual e secretário, sempre reeleito.
Tendo concluído o curso jurídico na Escola de Direito de Goiás, nomeado Juiz de Direito da comarca de Santa Cruz, hoje com sede próspera cidade de Pires do Rio.
E um magistrado integro, que vive cercado da maior estima por parte de seus jurisdicionados, trazendo a sua toga livre de qualquer mancha.
Viagens às terras goianas, do livro cujo título se vê á margem, escrito por Oscar Leal, transcrevemos a seguinte nota sobre Bela Vista, escrita em 1892:
Deixando o Bonfim segui em direção a Bela Vista, onde havia essa ocasião a festa do divino. O que são essas festas já o leitor quer saber. Missa cantada, foguetes, fogueiras, mastro arriba e meia dúzia de músicos a tocar pelas ruas, em remate, o festeiro, que tem o título de operador, convida o povo a provar uns confeites e a beber um pouco de vinho (branco) e está acabada a festa, depois de ser saudado aquela festa e a sorte designou para festeiro do ano seguinte. Como nestas ocasiões o que quer uma pessoa é divertir-se. O coronel Canedo tinha um troly, com quatro rodas, o único que vi nestes centros, pedindo-lhe permissão, enfeitei-o cobri-o com toda vermelha e convidei o imperador e o Vigário a falarem nele para acompanharem a coleta do costume. Creio dever ao suado que tomei o Ter evitado a constipação. Ser cocheiro de um imperador neste tempos democráticos… É preciso, porém, notar, que esse imperador era um sujeito bastante modesto, como vamos ver. Vestia calças de riscado, casaco de pano preto, chapéu mole desabado. Não trazia condecoração alguma. Era um tipo de modéstia. O vigário, Padre Braz da Costa Oliveira, que ia ao meu lado, revestido de batina, não parecia confiante na minha experiência, e agarrado ao encosto do carro quando avistava uma ponte ruim ou um rego através das ruas, pedia logo que parasse e soltava. Assim fez repetidas vezes, até que afinal se revestiu de coragem e disse no fim do passeio, com toda a resolução: não salto mais, suceda o que suceder. Foi um festão. O Manoel dos Reis foi quem mais se riu. Durante estes dias, o cel. Canedo não me deixou sair de sua casa e, lá hospedado mais uma vez, tive desejo de apreciar as belas qualidades. Pela seu trato, fraqueza natural, Canedo é um dos goianos mais populares que conheço. Um sujeito que nome convencidíssimo e que anda no barco de todos os fumantes. Silvéiro Lemes é o primeiro fabricante de fumo (tabaco) do Brasil, não pela quantidade, mais sim pela qualidade. É o tal capricho que desenvolve, que em sua fauna tem merecido até hoje uma fama de arrepiar cabelos aos invejosos. Este fumo, cuja qualidade deve sua primazia ao fabrico e ao terreno especial em que é cultivado, chega a obter um preço excepcional. Estudada a causa, creio não ser exagero dizer que o tabaco Silvério Lemes é o melhor do mundo. Em 1892, Bela Vista tinha somente 4 lojas de fazendas e molhados, 1 bom rancho, uma escola bem freqüentada e agência de correio.
CONCLUSÃO
Ao terminarmos este modesto subsídio a história de Bela Vista, seja-nos permitido declarar que a falta de arquivo na municipalidade não nos permitiu organizar trabalho mais completo. Entregamos o a publicidade sem nenhuma pretensão, somente para deixar aberto o caminho para aqueles que, de futuro queiram dedicar-se aos estudos da história de Bela Vista. (cuja ortografia era usada na época ).
(Produção) Larsen Costa

Terra de importantes nomes na política, na literatura, nas artes etc. Quem conhece Bela Vista já ouviu falar do saudoso Geraldinho Nogueira, Senador Canedo, Adelino Roque, José Inocêncio Teles entre muitos outros que estão e farão parte da história bela-vistense que, foi e é rico de pensamentos férteis que fizeram do pequeno corte de terra um respeitado e admirado município da produção do melhor fumo da região por anos e uma das grandes bacias leiteiras do Estado de Goiás. Município que já recebeu o presidente da República em legitimo mandato, Juscelino Kubitschek de Oliveira.


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